terça-feira, 5 de agosto de 2014

Dez histórias de crianças transexuais

Gabriela Mateos
23.03.2014

A transexualidade é um assunto extremamente polêmico e muito menos discutido do que deveria. Talvez por isso, por não entendermos exatamente do que se trata, essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito.

Transexual é aquela pessoa que nasceu com um determinado sexo, mas não se identifica com ele. E esse transtorno mental e de comportamento leva a pessoa a procurar tratamentos hormonais e até fazer cirurgias para mudar o corpo. No Brasil, temos o exemplo da modelo internacional Lea T, filha do famoso jogador de futebol, Toninho Cerezo. Ela nasceu no corpo de um homem, mas sempre se entendeu como mulher e, há alguns poucos anos, fez a cirurgia de troca de sexo. Mas, para ela, não existe um lado bom em ser transexual. “Sou penalizada em tudo”, contou a modelo em uma entrevista para o Fantástico.

Poderíamos ficar horas e mais horas aqui discutindo sobre o quão complexa essa condição pode ser. Mas, para entendê-la melhor, seus dramas e dificuldades, vamos mostrar 10 histórias de crianças transexuais dos Estados Unidos, Canadá e Argentina, que sabem o que são e não tem medo de lutar por isso.

10. A menina transexual que foi proibida de usar o banheiro feminino

Coy Mathis nasceu com corpo de menino, mas desde os 18 meses de idade se identificou como sendo menina. E, desde então, é tratada como tal. A escola em que ela fez o jardim de infância estava completamente ciente de seu caso, mas quando ela foi para a primeira série, ocorreu um incidente. Coy, que se veste e é reconhecida em seu passaporte e identidade como sendo do sexo feminino, foi impedida de usar o banheiro das meninas. Segundo o comunicado que seus pais receberam, ela deveria passar a usar o banheiro dos meninos, ou o dos funcionários da escola.

Com medo de que a filha sofresse ainda mais bullying das outras crianças, os pais de Coy a tiraram da escola e entraram com um processo contra a instituição. A decisão da corte norte-americana foi bem clara em favor da garotinha: “Escolas não devem descriminar seus estudantes e estamos contentes em dizer que Coy pode voltar para a escola e enterrar essa história”.

9. A menina transexual que escreveu um livro sobre suas experiências

Com apenas 13 anos de idade, Jazz Jennings já é uma pessoa muito bem resolvida. Desde que ela se entende por gente, se considera uma menina. Quando alguém queria elogiar algum comportamento dela e dizia “bom menino”, ela corrigia dizendo que o certo era “boa menina”. Aos 5 anos de idade, ela foi diagnosticada com Transtorno de Identidade de Gênero (ou transexualismo) e, desde então, iniciou o processo de transição para ser vista como uma menina.

Para dividir com o mundo um pouco do que é ser transexual, Jazz escreveu um livro chamado “I am Jazz” (“Eu sou Jazz”, em tradução livre). Ela também é cofundadora honorária da “The Transkids Purple Rainbow”, uma instituição de apoio a pessoas transexuais.

Agora, na puberdade, ela está fazendo tratamentos hormonais para prevenir o crescimento de pelos no corpo e outras características masculinas. Mas confessa que namorar ainda é um problema. Ela, que naturalmente se sente atraída por meninos, explica que se algum não a quiser por conta de sua condição, é porque essa pessoa não é a certa para ela.

8. A menina de 6 anos de idade que foi a primeira pessoa transexual com permissão para mudar de identidade na Argentina

Esse caso ganhou bastante repercussão na mídia brasileira quando aconteceu, em setembro de 2013.

Luana, também conhecido como Lulu, se tornou a primeira (e mais jovem) pessoa transexual a mudar de identidade na Argentina. De acordo com a nova lei de identidade de gênero do país, as pessoas transexuais agora têm o direito de serem reconhecidas pelo nome e sexo com os quais se identificam.

A mãe de Lulu, Gabriella, escreveu ao governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, bem como à presidente argentina Cristina Kirchner. Ela disse que sua filha, apesar de ter nascido homem, se identificava como uma menina desde o momento em que foi capaz de falar.

7. O menino transexual que lutou para ter seu nome lido durante sua cerimônia de formatura

Em maio de 2013, nos Estados Unidos, o estudante transexual Isaak Wolfe lutou para ter seu nome masculino lido em voz alta em sua formatura do colégio. Isaac também pediu, no início do ano, para poder se candidatar a rei do baile, mas sua inscrição acabou sendo aceita apenas para o posto de rainha.

A diretoria da escola não cedeu aos pedidos de Isaak e, na hora da cerimônia – apesar dele estar vestido da mesma forma que os outros meninos – foi chamado por seu nome de registro. Ao invés de se abater, Isaak ficou feliz, pois isso chamou a atenção de todo o país para questão e “vai fazer a diferença para as pessoas no futuro”, declarou. “Isso é o que mais importa. Não é hoje, é amanhã. Não tenha medo de falar, porque assim você nunca vai ver uma mudança”, completou o estudante.

Agora, Isaak é um estudante universitário e continua seu trabalho como ativista transexual. Ele recebeu um prêmio da ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis), por sua contribuição aos direitos civis e liberdade.

6. A menina transexual de 7 anos que foi afastada do grupo de escoteiras

Bobby Montoya nasceu homem, mas vive a vida como uma garota transexual. Ela se veste com roupas de menina e brinca com brinquedos da menina. Mas, quando ela quis se tornar escoteira, foi expulsa pelo líder do grupo porque tinha “partes de menino”.

Bobby e sua mãe, Felisha Archuleta, recorreram a decisão, e as escoteiras do Colorado (nos Estados Unidos) admitiram que haviam cometido um erro. “Se uma criança se identifica como uma menina e a família da criança a apresenta como uma menina, as escoteiras do Colorado irão recebê-la como uma menina”, disseram as escoteiras. E Bobby se juntou ao grupo.

5. O menino canadense de 11 anos de idade que foi a público contar sua história para ajudar crianças como ele

Em 2013, Wren Kauffman resolveu se assumir publicamente como um garoto transexual. Segundo sua mãe, desde os 4 anos de idade ele se identificava com o sexo masculino. Ele pedia roupas de menino e sempre perguntava “quando eu vou poder ser um menino?”. E, enquanto seus pais estavam em dúvida sobre como lidar com a situação, a irmã de Wren interviu esclarecendo tudo. Como ela bem disse, “ele realmente é um menino”. Logo, não tinha muito o que eles decidirem.

Então, a família foi a um psiquiatra que deu o veredito final, dizendo para os pais de Wren deixarem ele viver como um menino – o que o fez uma criança muito mais feliz. Agora, ele está sendo submetido a terapia hormonal e, se/quando quiser, poderá fazer uma cirurgia de redesignação de sexo.

Wren sonha ser um fotógrafo ou talvez um psicólogo infantil para ajudar crianças como ele. Mas, desde já, ele tem um conselho: “Diga a seus pais. Eles podem não ser os mais compreensíveis às vezes, mas eles te amam e tudo vai ficar bem”.

4. A menina que luta para ter o sexo mudado na certidão de nascimento

Já pensou não poder ser você mesmo nem na sua própria certidão de nascimento? É o caso da canadense Harriette Cunningham, uma menina de 10 anos que nasceu menino, mas se identifica como menina desde os 9 anos de idade. Ela usa apenas roupas femininas e se refere a si mesma com pronomes femininos. Agora, ela quer que seu passaporte e certidão de nascimento correspondam a essa verdadeira identidade. “Eu sou uma garota como todas as outras”, disse Harriette.

3. Os adolescentes transexuais que encontraram o amor um no outro e se separaram, mas continuam amigos

Adolescentes transexuais de Oklahoma, nos Estados Unidos, Arin Andrews e Katie Hill viraram manchete em jornais do mundo inteiro quando começaram a namorar. Mas, pouco depois, se separaram. “Nós temos uma ligação muito única porque passamos pelas mesmas coisas, mesmo que em direções opostas. Mas estamos em um ponto de nossas vidas que torna difícil passar muito tempo junto”.

Coisas como cirurgia de mudança de sexo.

Katie começou a faculdade e resolveu passar pelo procedimento. E Arin decidiu não apressar as coisas – já que a cirurgia de mudança de sexo feminino para sexo masculino é muito mais arriscada do que masculino para feminino. Os dois continuam amigos e continuam a apoiar um ao outro.

2. Quando os pais de uma menina concluíram que ela não era apenas uma moleca

Aos 2 anos de idade, Tyler, que nasceu menina, disse com todas as palavras para seus pais: “eu sou menino”. Mas seus pais insistiram com ele que não. Mostraram fotos de partes íntimas e argumentaram que ela havia nascido com corpo de menina. Ele respondia: “quando vocês me mudaram?”. Dois anos depois, um psicólogo confirmou a condição: a filha do casal sofria mesmo de Transtorno de Identidade de Gênero, e recomendou que os pais começassem a tratar a criança como um menino. A filha, então, passou a ser carinhosamente chamada de Tyler.

1. O filho transexual de celebridades americanas que luta por cuidados de saúde a pessoas transexuais

Stephen Ira Beatty, o filho mais velho dOS atores Warren Beatty e Annette Bening, é transexual e ativista em prol de pessoas como ele. Inclusive, participou de um comercial veiculado nos Estados Unidos, que promove cuidados de saúde básicos para pessoas transexuais carentes.

Stephen se assumiu como homem aos 14 anos de idade.


Disponível em http://hypescience.com/10-historias-de-criancas-transexuais/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29. Acesso em 31 jul 2014.

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