Gabriela Mateos
23.03.2014
A transexualidade é um assunto extremamente polêmico e muito
menos discutido do que deveria. Talvez por isso, por não entendermos exatamente
do que se trata, essa condição seja motivo de tantos casos de preconceito.
Transexual é aquela pessoa que nasceu com um determinado
sexo, mas não se identifica com ele. E esse transtorno mental e de
comportamento leva a pessoa a procurar tratamentos hormonais e até fazer
cirurgias para mudar o corpo. No Brasil, temos o exemplo da modelo
internacional Lea T, filha do famoso jogador de futebol, Toninho Cerezo. Ela
nasceu no corpo de um homem, mas sempre se entendeu como mulher e, há alguns
poucos anos, fez a cirurgia de troca de sexo. Mas, para ela, não existe um lado
bom em ser transexual. “Sou penalizada em tudo”, contou a modelo em uma
entrevista para o Fantástico.
Poderíamos ficar horas e mais horas aqui discutindo sobre o
quão complexa essa condição pode ser. Mas, para entendê-la melhor, seus dramas
e dificuldades, vamos mostrar 10 histórias de crianças transexuais dos Estados
Unidos, Canadá e Argentina, que sabem o que são e não tem medo de lutar por
isso.
10. A menina transexual que foi proibida de usar o banheiro
feminino
Coy Mathis nasceu com corpo de menino, mas desde os 18 meses
de idade se identificou como sendo menina. E, desde então, é tratada como tal.
A escola em que ela fez o jardim de infância estava completamente ciente de seu
caso, mas quando ela foi para a primeira série, ocorreu um incidente. Coy, que
se veste e é reconhecida em seu passaporte e identidade como sendo do sexo
feminino, foi impedida de usar o banheiro das meninas. Segundo o comunicado que
seus pais receberam, ela deveria passar a usar o banheiro dos meninos, ou o dos
funcionários da escola.
Com medo de que a filha sofresse ainda mais bullying das
outras crianças, os pais de Coy a tiraram da escola e entraram com um processo
contra a instituição. A decisão da corte norte-americana foi bem clara em favor
da garotinha: “Escolas não devem descriminar seus estudantes e estamos
contentes em dizer que Coy pode voltar para a escola e enterrar essa história”.
9. A menina transexual que escreveu um livro sobre suas
experiências
Com apenas 13 anos de idade, Jazz Jennings já é uma pessoa
muito bem resolvida. Desde que ela se entende por gente, se considera uma
menina. Quando alguém queria elogiar algum comportamento dela e dizia “bom
menino”, ela corrigia dizendo que o certo era “boa menina”. Aos 5 anos de
idade, ela foi diagnosticada com Transtorno de Identidade de Gênero (ou
transexualismo) e, desde então, iniciou o processo de transição para ser vista
como uma menina.
Para dividir com o mundo um pouco do que é ser transexual,
Jazz escreveu um livro chamado “I am Jazz” (“Eu sou Jazz”, em tradução livre).
Ela também é cofundadora honorária da “The Transkids Purple Rainbow”, uma
instituição de apoio a pessoas transexuais.
Agora, na puberdade, ela está fazendo tratamentos hormonais
para prevenir o crescimento de pelos no corpo e outras características
masculinas. Mas confessa que namorar ainda é um problema. Ela, que naturalmente
se sente atraída por meninos, explica que se algum não a quiser por conta de
sua condição, é porque essa pessoa não é a certa para ela.
8. A menina de 6 anos de idade que foi a primeira pessoa
transexual com permissão para mudar de identidade na Argentina
Esse caso ganhou bastante repercussão na mídia brasileira
quando aconteceu, em setembro de 2013.
Luana, também conhecido como Lulu, se tornou a primeira (e
mais jovem) pessoa transexual a mudar de identidade na Argentina. De acordo com
a nova lei de identidade de gênero do país, as pessoas transexuais agora têm o
direito de serem reconhecidas pelo nome e sexo com os quais se identificam.
A mãe de Lulu, Gabriella, escreveu ao governador de Buenos
Aires, Daniel Scioli, bem como à presidente argentina Cristina Kirchner. Ela
disse que sua filha, apesar de ter nascido homem, se identificava como uma
menina desde o momento em que foi capaz de falar.
7. O menino transexual que lutou para ter seu nome lido
durante sua cerimônia de formatura
Em maio de 2013, nos Estados Unidos, o estudante transexual
Isaak Wolfe lutou para ter seu nome masculino lido em voz alta em sua formatura
do colégio. Isaac também pediu, no início do ano, para poder se candidatar a
rei do baile, mas sua inscrição acabou sendo aceita apenas para o posto de
rainha.
A diretoria da escola não cedeu aos pedidos de Isaak e, na
hora da cerimônia – apesar dele estar vestido da mesma forma que os outros
meninos – foi chamado por seu nome de registro. Ao invés de se abater, Isaak
ficou feliz, pois isso chamou a atenção de todo o país para questão e “vai
fazer a diferença para as pessoas no futuro”, declarou. “Isso é o que mais
importa. Não é hoje, é amanhã. Não tenha medo de falar, porque assim você nunca
vai ver uma mudança”, completou o estudante.
Agora, Isaak é um estudante universitário e continua seu
trabalho como ativista transexual. Ele recebeu um prêmio da ACLU (União
Americana pelas Liberdades Civis), por sua contribuição aos direitos civis e
liberdade.
6. A menina transexual de 7 anos que foi afastada do grupo
de escoteiras
Bobby Montoya nasceu homem, mas vive a vida como uma garota
transexual. Ela se veste com roupas de menina e brinca com brinquedos da
menina. Mas, quando ela quis se tornar escoteira, foi expulsa pelo líder do
grupo porque tinha “partes de menino”.
Bobby e sua mãe, Felisha Archuleta, recorreram a decisão, e
as escoteiras do Colorado (nos Estados Unidos) admitiram que haviam cometido um
erro. “Se uma criança se identifica como uma menina e a família da criança a
apresenta como uma menina, as escoteiras do Colorado irão recebê-la como uma
menina”, disseram as escoteiras. E Bobby se juntou ao grupo.
5. O menino canadense de 11 anos de idade que foi a público
contar sua história para ajudar crianças como ele
Em 2013, Wren Kauffman resolveu se assumir publicamente como
um garoto transexual. Segundo sua mãe, desde os 4 anos de idade ele se
identificava com o sexo masculino. Ele pedia roupas de menino e sempre
perguntava “quando eu vou poder ser um menino?”. E, enquanto seus pais estavam
em dúvida sobre como lidar com a situação, a irmã de Wren interviu esclarecendo
tudo. Como ela bem disse, “ele realmente é um menino”. Logo, não tinha muito o
que eles decidirem.
Então, a família foi a um psiquiatra que deu o veredito
final, dizendo para os pais de Wren deixarem ele viver como um menino – o que o
fez uma criança muito mais feliz. Agora, ele está sendo submetido a terapia
hormonal e, se/quando quiser, poderá fazer uma cirurgia de redesignação de
sexo.
Wren sonha ser um fotógrafo ou talvez um psicólogo infantil
para ajudar crianças como ele. Mas, desde já, ele tem um conselho: “Diga a seus
pais. Eles podem não ser os mais compreensíveis às vezes, mas eles te amam e
tudo vai ficar bem”.
4. A menina que luta para ter o sexo mudado na certidão de
nascimento
Já pensou não poder ser você mesmo nem na sua própria
certidão de nascimento? É o caso da canadense Harriette Cunningham, uma menina
de 10 anos que nasceu menino, mas se identifica como menina desde os 9 anos de
idade. Ela usa apenas roupas femininas e se refere a si mesma com pronomes
femininos. Agora, ela quer que seu passaporte e certidão de nascimento
correspondam a essa verdadeira identidade. “Eu sou uma garota como todas as
outras”, disse Harriette.
3. Os adolescentes transexuais que encontraram o amor um no
outro e se separaram, mas continuam amigos
Adolescentes transexuais de Oklahoma, nos Estados Unidos,
Arin Andrews e Katie Hill viraram manchete em jornais do mundo inteiro quando
começaram a namorar. Mas, pouco depois, se separaram. “Nós temos uma ligação
muito única porque passamos pelas mesmas coisas, mesmo que em direções opostas.
Mas estamos em um ponto de nossas vidas que torna difícil passar muito tempo
junto”.
Coisas como cirurgia de mudança de sexo.
Katie começou a faculdade e resolveu passar pelo
procedimento. E Arin decidiu não apressar as coisas – já que a cirurgia de
mudança de sexo feminino para sexo masculino é muito mais arriscada do que
masculino para feminino. Os dois continuam amigos e continuam a apoiar um ao
outro.
2. Quando os pais de uma menina concluíram que ela não era
apenas uma moleca
Aos 2 anos de idade, Tyler, que nasceu menina, disse com
todas as palavras para seus pais: “eu sou menino”. Mas seus pais insistiram com
ele que não. Mostraram fotos de partes íntimas e argumentaram que ela havia
nascido com corpo de menina. Ele respondia: “quando vocês me mudaram?”. Dois
anos depois, um psicólogo confirmou a condição: a filha do casal sofria mesmo
de Transtorno de Identidade de Gênero, e recomendou que os pais começassem a
tratar a criança como um menino. A filha, então, passou a ser carinhosamente
chamada de Tyler.
1. O filho transexual de celebridades americanas que luta
por cuidados de saúde a pessoas transexuais
Stephen Ira Beatty, o filho mais velho dOS atores Warren
Beatty e Annette Bening, é transexual e ativista em prol de pessoas como ele.
Inclusive, participou de um comercial veiculado nos Estados Unidos, que promove
cuidados de saúde básicos para pessoas transexuais carentes.
Stephen se assumiu como homem aos 14 anos de idade.
Disponível em
http://hypescience.com/10-historias-de-criancas-transexuais/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29.
Acesso em 31 jul 2014.