quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Estudo mostra que 2,3% dos americanos são gays ou bissexuais

Curtis Skinner
15/07/2014

Dados do governo dos Estados Unidos divulgados mostraram que 2,3 por cento dos norte-americanos adultos são gays ou bissexuais, e que estes homens e mulheres sofreram com mais frequência de ansiedade grave e tiveram hábitos mais autodestrutivos do que seus pares heterossexuais.

A pesquisa deste ano foi a primeira a perguntar sobre orientação sexual, além de hábitos de saúde, em 57 anos de existência do estudo, disse o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês).

Mulheres bissexuais são duas vezes mais propensas a sofrer de ansiedade grave, enquanto homens bissexuais tendem a se embriagar mais do que os outros, de acordo com o levantamento.

Na pesquisa feita com mais de 34.500 norte-americanos de 18 anos ou mais, 1,6 por cento relatou que é gay e 0,7 por cento afirmou ser bissexual. Um total de 96,6 por cento disse ser heterossexual e 1,1 por cento afirmou ser "outra coisa", não sabia ou não quis responder.

Cerca de duas vezes mais mulheres do que homens se identificaram como bissexuais, com 0,9 por cento das entrevistadas dizendo ter atração por ambos os sexos.

O dobro de mulheres bissexuais apresentou mais probabilidade de relatar ter ansiedade grave do que qualquer outro grupo, com quase 11 por cento dizendo que ficaram angustiadas no mês passado.

Entre os homens bissexuais, quase 52 por cento declararam ter bebido cinco ou mais drinques em uma noite durante o ano passado em comparação com apenas 31 por cento dos homens heterossexuais.

Gays e bissexuais se saíram tão bem ou melhores do que seus pares heterossexuais em algumas áreas, como se exercitar, fazer testes de HIV e tomar vacinas contra a gripe.

"As diferenças foram para os dois lados, e isso depende do indicador específico que está sendo considerado", disse Brian Ward, um dos principais autores da pesquisa e levantamento de dados de saúde do braço estatístico do CDC.

O CDC afirmou que as conclusões da pesquisa estavam em linha com outras pesquisas sobre saúde e orientação sexual, embora uma proporção menor de pessoas neste levantamento se identificou como bissexual do que em outros estudos.


Disponível em http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/estudo-mostra-que-2-3-dos-americanos-sao-gays-ou-bissexuais. Acesso em 02 out 2014.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Falsos médicos usam cimento, azeite e supercola em plásticas de bumbum

BBC
29/07/2014 

As cirurgias plásticas para aumento de bumbum estão em alta nos Estados Unidos - mas muitas mulheres estão se submetendo a procedimentos e técnicas ilegais e arriscados para baratear os preços, que podem chegar a milhares de dólares.

Natalie Johnson, de Miami, na Flórida, tomou injeções para aumentar o tamanho dos glúteos. Ela trabalhava de dançarina e acreditava que um traseiro maior lhe traria rendimentos financeiros.

Acabou com cicatrizes e sofreu com as dores. Em sua casa, Natalie mostrou à BBC as fotos de seu corpo com manchas escuras e sinais de decomposição do tecido após o procedimento.

"Eu não precisava, eu era perfeita sem isso. Eu tinha um estilo de vida no qual eu sentia que, se tivesse um traseiro grande, poderia ganhar mais dinheiro", disse.

'Profissional'

A decisão de se submeter ao procedimento veio depois que ela encontrou uma pessoa que alegava ser médico. O homem ofereceu o serviço por um preço que era apenas uma fração do que normalmente é cobrado em clínicas.

Segundo Natalie, O’Neal Morris foi até a casa dela usando um jaleco branco e "parecendo profissional", e injetou uma substância em suas nádegas usando uma seringa.

Inicialmente os resultados foram bons: os glúteos ficaram mais redondos e firmes, perto do objetivo dela, de ter um "corpo com o formato de uma garrafa de Coca-Cola".

Os problemas começaram depois de duas sessões. "Comecei a ficar muito, muito doente. Notei que (o implante) estava começando a desintegrar e meu traseiro ficou enrugado", disse.

A dor que ela ainda enfrenta é tão forte que é difícil para Natalie ficar sentada por muito tempo. Ela precisa da ajuda da filha de nove anos para fazer as tarefas mais básicas.

Em uma ocasião, Natalie foi levada às pressas para o hospital após parar de respirar.

Em janeiro, Morris começou a cumprir pena de um ano de prisão por prática de medicina sem licença.

As mulheres que testemunharam durante o julgamento disseram que Morris, que não é formado, havia injetado uma variedade de substâncias incluindo cimento, supercola e selante de pneu.

O FBI diz que o número de casos de pessoas que se apresentam como médicos falsos para realizar cirurgias desse tipo está em alta, especialmente na Flórida, em Nova York, na Califórnia e no Texas.

Consertando o estrago

Em sua clínica em um subúrbio de Miami, o cirurgião plástico Alberto Gallerani mostra frascos contendo materiais retirados das nádegas de pacientes. Entre eles, azeite e supercola.

Gallerani vem tratando Natalie e centenas de outras mulheres e homens interessados em cirurgia corretiva após procedimentos errôneos.

Ele exibe fotos do que pode dar errado. Elas são fortes demais para serem publicadas. As cicatrizes são horríveis e em alguns casos a pele mudou de cor. Outras imagens mais extremas mostram o corpo totalmente desfigurado.

Gallerani diz que, em muitos casos, os sintomas podem levar vários anos para aparecer.

"O que muitas das pessoas que fazem isso não percebem é que elas estão colocando uma bomba-relógio em seus corpos", compara.

Ele diz receber cem chamadas por semana de pessoas pedindo ajuda.

Cirurgias nas nádegas são cada vez mais comuns nos EUA. Em 2013, o número destes procedimentos dobrou em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação Americana de Cirurgiões Plásticos Estéticos.

O custo chega a milhares de dólares, o que explica os motivos de muitas mulheres estarem optando por intervenções não regulamentadas e métodos mais baratos.

Pressão do meio

A cultura hip-hop celebra um traseiro maior, e a pressão sobre as mulheres é enorme, diz Tee Ali, um agente de artistas em Londres.

Sua cliente e amiga, Claudia Aderotimi, de 20 anos, morreu em 2011, depois de voar de Londres para a Filadélfia para receber injeções de uma mulher que conheceu na internet.

Os médicos acreditam que as próteses de silicone ilegais se espalharam por seus órgãos, matando-a. A pessoa acusada de realizar o procedimento deve ser julgada no ano que vem.

Ali diz que Claudia acreditava que ter nádegas maiores a ajudaria a ter sucesso na indústria da música.

"Quando as meninas saem e uma delas tem um bumbum grande, ela recebe toda a atenção. Ela vai ter tudo, elevadores exclusivos, bebidas gratuitas", diz ele.

"Todo mundo sabe, as meninas com bumbuns maiores recebem mais atenção, grandes ofertas de trabalho e demanda maior".

Tragicamente, Claudia não está viva para alertar outras pessoas sobre os perigos de procedimentos ilegais. Mas Natalie acredita que através de sua história, outras mulheres podem ser salvas.

"Fique com o que Deus lhe deu", diz. "Eu digo a garotas: se não está quebrado não conserte. Você é linda do jeito que você é."


Disponível em http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/07/falsos-medicos-usam-cimento-azeite-e-supercola-em-plasticas-de-bumbum.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1. Acesso em 30 ago 2014.