terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Clínica causa polêmica com tratamento de mudança de sexo em crianças

Portal Terra
17 de Novembro de 2013

Uma clínica pública da Inglaterra tem causado polêmica ao tratar crianças transexuais com menos de 12 anos, dando a elas bloqueadores hormonais que preparam mais cedo para a mudança de sexo. Segundo o site do jornal inglês Daily Mail, o procedimento é feito por outros médicos apenas após os 16 anos.

O tratamento, feito para frear os efeitos da puberdade e prevenir que as crianças desenvolvam as características sexuais do gênero que nasceram, foi realizado em mais de 20 jovens que sofrem com transtorno de identidade de gênero. O uso de medicação foi iniciado em 2011, na Tavistock Clinic, em Londres, como parte de um estudo em que os especialistas queriam avaliar os benefícios dos médicos caso começassem a ser introduzidos mais cedo na vida das crianças, de acordo com o jornal Sunday Times.

Na época, a iniciativa foi considerada controversa, já que muitos pacientes não tinham condições de entender e consentir com a terapia. No entanto, o local recebeu pedidos de 142 crianças entre 11 e 15 anos enviados por pais e profissionais de educação.

A diretora da clínica, Dra. Polly Carmichael, afirmou que continuará o tratamento com as crianças mesmo depois que o resultado do estudo seja divulgado, em abril de 2014. "Trinta e cinco crianças já foram aceitas no estudo e 23 delas receberam bloqueadores hormonais. Outras 12 também participam, mas não receberam o tratamento porque ainda estão muito no início da puberdade", afirmou. Segundo ela, quando completam 16 nos, as crianças têm duas opções: parar de receber bloqueadores hormonais ficando com o mesmo sexo do nascimento ou fazer uso de outros hormônios que levam a mudança de corpo e, aos 18 anos, a clínica pode encaminhar para cirurgia de mudança de sexo.

A abordagem da clínica se diferencia de outros procedimentos feitos no Reino Unido, onde as crianças não recebem nenhum tipo de hormônio até os 16 anos e, somente depois dessa idade, fazem tratamentos específicos e eficazes para a mudança de sexo. Mas, os defensores do tratamento argumentam que muitas delas já viveram o início da puberdade bem antes dos 16 anos o que dificulta a transição no futuro, uma vez que o corpo já recebeu cargas de hormônios do sexo de nascimento . "É melhor para as crianças que não tenham passado pela puberdade antes do tratamento de transição", explica a Dra. Carmichael.

Apesar do procedimento, a especialista reconhece que é um passo grande demais a ser tomado por crianças com esta idade e que isto exige certos cuidados. "Você está exigindo de uma criança de 11 anos para que decida sobre sua vida adulta e sua identidade, por isso temos que ter muito cuidado para manter as opções em aberto", afirma.

Recentemente, o adolescente de 12 anos Leo Waddell foi a público pedir que os médicos permitesse que ele use os bloqueadores de hôrmonio. Nascido como uma menina chamada Lili, ele vive como um garoto desde os cinco anos e pretende fazer uso de testosterona quando chegar aos 16 e, aos 18, passar pela cirurgia de mudança de sexo. Mas, até lá, ele acredita que é melhor usar os medicamentos para bloquear a puberdade e evitar que os hôrmonios femininos se espalhem pelo seu corpo.

No entanto, os especialistas recusaram o pedido de Leo ao alegar que não têm certeza sob os efeitos a longo prazo que o uso destes remédios podem causar. "O que as pessoas não entendem é que é muito mais perigoso para ele não receber os hormônios, porque este tormento está fazendo ele ficar cada mais triste", afirmou a mãe de Leo, Hayley.

Em 2009, aos 16 anos, Jackie Green foi a pessoa mais jovem do mundo a realizar a cirurgia de mudança de gênero. Ela havia nascido menino e recebia hormônios desde os 12 anos, em Boston, nos Estados Unidos. Três anos após o procedimento, ela tornou-se a primeira transexual a estar entre as finalistas do concurso Miss Inglaterra.


Disponível em http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/clinica-causa-polemica-com-tratamento-de-mudanca-de-sexo-em-criancas,7ce2aefd16762410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html. Acesso em 23 nov 2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

'A vitória é nossa', diz transexual do RS que provocou mudanças no SUS

Caetanno Freitas
23/11/2013

Ao ficar sabendo sobre as mudanças para o atendimento de transexuais e travestis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), publicadas nesta quinta-feira (21) pelo Ministério da Saúde, o serígrafo Renato Fonseca, de 46 anos, viu cada vez mais próximo o fim da longa fila de espera que o atormenta há sete anos. Ele é uma das vozes mais graves entre o grupo com cerca de 30 pessoas que ingressou, no Rio Grande do Sul, com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) para que o SUS contemplasse transexuais masculinos em cirurgias de trocas de sexo no Brasil.

Nascido Rosane Oliveira da Fonseca, Renato esperava há muito tempo pela oportunidade de fazer a cirurgia de troca de sexo. Agora, com as novas diretrizes do Ministério da Saúde, válidas para todo país, o procedimento poderá ser marcado a qualquer momento.

“Fizemos tudo juntos, a vitória é nossa. A gente vive tapado com roupas em pleno verão. Queremos a liberdade. Estou desde ontem (quinta) vibrando muito. É uma alegria enorme”, descreve ao G1.

Renato adianta que na próxima segunda-feira (25) o grupo estará no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) para dar início ao processo de marcação das cirurgias.

“Esperamos que o hospital agilize. A gente passa tanto tempo em avaliação com psicólogos e psiquiatras para que eles tenham certeza da nossa certeza que, quando chega uma notícia dessas, a ansiedade é quase incontrolável”, afirma.

O procurador regional da República da 4ª Região, Paulo Leivas, foi um dos que ajuizaram a ação para que o SUS incluísse na sua lista de procedimentos a cirurgia de transgenitalização, ou mudança de sexo, em meados de 2002. Cinco anos depois, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região deu parecer favorável e notificou a União, que recorreu da decisão. As possibilidades de reversão judicial foram esgotadas em 2009. Desde lá, a medida estava sendo descumprida, conforme o procurador.

“A União desistiu dos recursos por causa de uma declaração do então ministro da Saúde (José Gomes Temporão), que declarou ser favorável ao direito dos transexuais. Ou seja, a decisão transitou em julgado. O SUS começou a oferecer o procedimento a transexuais femininos e ignorou os masculinos até hoje”, explica.

O Programa de Transexualidade do HCPA é coordenado pelo cirurgião Walter Koff, também professor de urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele também exaltou as mudanças anunciadas pelo Ministério da Saúde. “Temos 32 pacientes na fila esperando essa portaria para poder retirar mamas, ovários e útero. Isso vai ser muito importante.”

O HCPA é um dos quatro centros brasileiros capacitados para realizar esse tipo de tratamento. A instituição já fez 168 cirurgias de redesignação do sexo masculino para feminino.

Novas diretrizes do Ministério da Saúde

A Portaria 2.803 de 19 de novembro de 2013, publicada nesta quinta-feira (21) no Diário Oficial da União, estabelece que os transexuais masculinos – pessoas que são fisicamente do sexo feminino, mas se identificam como homens – tenham as cirurgias de retirada das mamas, do útero e dos ovários cobertas pelo sistema público. Eles também passam a ter direito à terapia hormonal para adequação à aparência masculina. Esse grupo não estava incluído na portaria que regia o processo de mudança de sexo pelo SUS até então.

Já as transexuais femininas – pessoas que nascem com corpo masculino, mas se identificam como mulheres – também terão um tratamento adicional coberto pelo SUS: a cirurgia de implante de silicone nas mamas. Desde 2008, elas também têm direito a terapia hormonal, cirurgia de redesignação sexual – com amputação do pênis e construção de neovagina – e cirurgia para redução do pomo de adão e adequação das cordas vocais para feminilização da voz.

A partir de agora, também terão direito a atendimento especializado pelo SUS os travestis, grupo que não tem necessariamente interesse em realizar a cirurgia de transgenitalização. A portaria define que o tratamento não será focado apenas nas cirurgias, mas em um atendimento global com equipes multidisciplinares.

Polêmica da idade mínima

As novas regras estabelecem a idade mínima de 18 anos para início da terapia com hormônios e de 21 anos para a realização dos procedimentos cirúrgicos.

Essas são as mesmas idades estabelecidas pela Portaria 457, de 19 de agosto de 2008, regra que regia o processo de mudança de sexo até então.

Em 31 de julho deste ano, o Ministério da Saúde chegou a publicar uma portaria para definir o processo transexualizador pelo SUS – suspensa no mesmo dia da publicação – que estabelecia a redução da idade mínima para hormonioterapia para 16 anos e dos procedimentos cirúrgicos para 18 anos, o que foi revisto nas novas regras.

Segundo o Ministério da Saúde, essa revisão foi decidida para adequar as normas à resolução 1955, de setembro de 2010, do CFM.

Para Koff, o ideal para o paciente é passar pelo tratamento o quanto antes. “Vamos reivindicar que se abaixe a idade mínima para a cirurgia e para o tratamento com hormônios. Quanto antes, melhor. Como esse processo começa na infância, quando eles têm 16 anos, já estão no fim da puberdade e têm condições de tomar a decisão”. Segundo ele, o tratamento precoce pode evitar sofrimentos no âmbito social e afetivo.


Disponível em http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/11/vitoria-e-nossa-diz-transexual-do-rs-que-provocou-mudancas-no-sus.html. Acesso em 23 nov 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

Lesma-do-mar com órgão sexual 'descartável' surpreende cientistas

Rebecca Morelle
13 de fevereiro, 2013

Pesquisadores japoneses vinham observando os hábitos de acasalamento inusitados da espécie Chromodoris reticulata, encontrada no Oceano Pacífico, há algum tempo.

Agora, publicaram um estudo sobre o tema na Biology Letters, da Royal Society, relatando o registro pela primeira vez uma criatura que pode copular repetidas vezes com o que foi descrito com um "pênis descartável".

Acredita-se que quase todas as lesmas-do-mar (também conhecidas como nudibrânquios) sejam "hermafroditas simultâneos".

Isso significa que os animais têm tanto órgãos sexuais masculinos quanto femininos e podem usá-los ao mesmo tempo.

Conforme explica Bernard Picton, especialista em invertebrados marinhos do Museu Nacional da Irlanda do Norte, em geral os órgãos sexuais ficam do lado direito do corpo das lesmas e durante a cópula os dois animais se unem por esse lado, fecundando-se simultaneamente.

Observações

A equipe japonesa observou lesmas-do-mar coletadas em recifes de coral rasos no Japão, analisando 31 cópulas.

Segundo seus registros, logo após o acasalamento, as criaturas se desfaziam de seus órgãos sexuais masculinos, deixando-os no fundo do tanque de observações.

Em apenas 24 horas, porém, as lesmas já tinham se regenerado e estavam prontas para acasalar mais uma vez com "novos" órgãos sexuais.

Um exame mais detalhado da anatomia dos animais revelou que as lesmas-do-mar tinham parte do seu "pênis" enrolado em uma espiral dentro do corpo, o que permitia a regeneração rápida do órgão.

Os animais foram capazes de copular três vezes seguidas, com intervalos de 24 horas entre cada uma delas.

Os cientistas não deixaram claro se, após o uso dessa "reserva interna", o animal deixa de se reproduzir para sempre ou se ele é capaz de regenerar a "reserva" em algumas semanas ou meses.

Outros animais já foram observados "desfazendo-se" de seus órgãos sexuais após a cópula, entre eles uma espécie de aranha e uma lesma terrestre (Ariolimax).

A lesma Chromodoris reticulata, porém, parece ser a única criatura capaz de regenerá-los para usá-los novamente.

Para os cientistas, essa capacidade daria ao animal uma vantagem sexual - aumentando as chances de cada lesma possa passar seus genes adiante. "Esses animais têm uma biologia muito complicada", diz Picton.


Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130213_lesma_do_mar_ru.shtml. Acesso em 23 nov 2013

sábado, 30 de novembro de 2013

Ensaio sobre os ruídos balbuciados na rigidez da sombra: a ala das travestis do presídio central de Porto Alegre

Renata Guadagnin
Mestranda – PUCRS

Resumo: Este ensaio busca, através da narrativa com fulcro teórico em Walter Benjamin, trazer histórias experenciadas nos movimentos de uma pesquisa ainda em andamento. Atentando especialmente para o encontro realizado com a Ala das Travestis do Presídio Central de Porto Alegre no dia dez de setembro de 2013, como forma de não emudecer aos ruídos que de lá ecoam.



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Heterossexual ou gay? Formato do rosto pode revelar opção sexual

Portal Terra
09 de Novembro de 2013

Um estudo sugere que os diferentes formatos de rosto podem revelar as preferências sexuais dos homens. Pesquisadores da Academia de Ciências da República Checa e do Centro de Estudos Teóricos da Universidade Charles, em Praga, decidiram estudar as características faciais de homens gays e heterossexuais para saber se elas estão relacionadas à orientação sexual. As informações são do Huffington Post.

Foram realizados dois estudos: um analisou se os gays têm visivelmente diferentes características visuais que os heterossexuais, e o outro analisou se a orientação sexual pode ser determinada apenas com base neste recurso.

No primeiro estudo, pesquisadores reuniram 40 homens que se interessavam por pessoas do mesmo sexo e 40 homens que se relacionavam com mulheres. Todos checos e brancos. Depois de tirarem 80 fotos com mais de 11 mil coordenadas, foi possível notar um padrão. "Os homens gays mostraram rostos relativamente mais largos e curtos, narizes menores e mais curtos e mandíbulas mais arredondada, apontou o estudo.

O segundo estudo reuniu 33 gays e 33 heterossexuais com 20 anos. Quarenta estudantes do sexo feminino e 40 masculinos foram solicitados a classificar a orientação sexual dos 66 participantes em uma escala de um a sete, sendo que um representava o extremo para heterossexual e sete para homossexual. Além disso, eles classificaram os traços mais masculinos e femininos de cada participante.

As formas de rosto de homens gays foram classificadas como mais masculinas do que os heterossexuais. Além disso, os avaliadores não foram capazes de determinar a orientação sexual com as imagens. “Isso mostra que o julgamento da orientação sexual com base em características estereotipadas leva ao equívoco frequente”, escreveram os autores.

"É necessário apontar para possíveis mal-entendidos dos nossos resultados", disse Jarka Valentova, uma das responsáveis pelo estudo. "O fato de termos encontrado algumas diferenças morfológicas significativas entre homens homossexuais e heterossexuais não significa que qualquer um dos grupos é facilmente reconhecível na rua (e nosso estudo 2, na verdade, mostra que não é assim tão fácil de adivinhar a orientação sexual de alguém sem conhecê-lo)”, completou.

Ela também acrescentou que o tamanho da amostra utilizada foi pequena e, para que o estudo tivesse mais validade, seria necessário aplicá-lo em homens de diferentes etnias.


Disponível em http://vidaeestilo.terra.com.br/homem/heterossexual-ou-gay-formato-do-rosto-pode-revelar-opcao-sexual,6bd6d3df14d32410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html. Acesso em 23 nov 2013