domingo, 5 de janeiro de 2014

Como os homens veem as mulheres no trabalho (e vice-versa)

Talita Abrantes
25/11/2013

Vinte. Este é o número de vezes que um homem tem mais chance de chegar a um cargo de presidente de uma grande empresa quando comparado com uma mulher, segundo estudo da Bain divulgado durante o Fórum Mulheres em Destaque. E a diferença de estilos de gestão é uma das principais explicações para isso.

O estudo feito com pouco mais de 500 profissionais brasileiros prova que homens e mulheres se veem de maneiras diferentes no trabalho. “A mulher tende a construir relacionamentos, mobilizar o time, ajudar nos processos relacionais quando há mudanças”, afirma Luciana Batista, consultora da Bain & Co.

O problema? “Os líderes tendem a promover pessoas com estilos de gestão semelhantes aos seus”, diz a especialista. Como os homens são maioria nos cargos de liderança, a consequência não poderia ser mais óbvia.

Na hora de avaliar as próprias características, tanto mulheres quanto homens acabam caindo em alguns estereótipos.

Por exemplo, segundo os dois grupos, elas são menos eficazes do que eles na hora de controlar emoções e trabalhar com pessoas do mesmo sexo. Os homens, por sua vez, são menos eficazes ao conciliar trabalho e família e construir relacionamentos do que as mulheres, segundo o levantamento.

O desempenho feminino e masculino, segundo as mulheres

PerfilMulheres mais efetivas que os homensHomens mais efetivos que mulheres
Controla as emoções no trabalho6%65%
Gerencia situações de alta pressão15%31%
Trabalha com colegas do mesmo sexo14%32%
Toma decisões difíceis baseadas na lógica e em bom julgamento11%28%
Toma boas decisões comerciais7%19%
Forma times de alta performance21%10%
Fala/contribui de forma eficaz em reuniões de liderança17%13%
Comunica ideais ou argumentos complexos23%14%
Trabalha bem em equipes25%15%
Constrói relacionamentos com os colegas30%18%
Propõe e gerencia processos de mudança transformacional35%8%
Mantém o comprometimento com o trabalho enquanto gerencia as necessidades de suas famílias58%12%

O desempenho feminino e masculino, segundo os homens

PerfilMulheres mais efetivas que os homensHomens mais efetivos que mulheres
Controla as emoções no trabalho4%62%
Gerencia situações de alta pressão3%46%
Trabalha com colegas do mesmo sexo10%40%
Toma decisões difíceis baseadas na lógica e em bom julgamento6%30%
Toma boas decisões comerciais5%13%
Forma times de alta performance9%19%
Fala/contribui de forma eficaz em reuniões de liderança11%14%
Comunica ideais ou argumentos complexos11%16%
Trabalha bem em equipes15%16%
Constrói relacionamentos com os colegas21%21%
Propõe e gerencia processos de mudança transformacional16%12%
Mantém o comprometimento com o trabalho enquanto gerencia as necessidades de suas famílias30%28%

Estilo de liderança

Quando indagados sobre o desempenho das mulheres e homens em 10 estilos de liderança, os profissionais do sexo masculino afirmam que eles são melhores que elas exatamente nas características que são mais valorizadas pelos chefes – novamente, que são na sua maioria homens.

O que é mais valorizado nos cargos de liderança, segundo homens e mulheres

O que as empresas valorizamSegundo mulheres*Segundo homens*
Solucionar problemas53%54%
Encorajar o trabalho em equipe47%43%
Influenciar a equipe33%34%
Inspirar30%30%
Delegar28%28%
Fazer networking26%22%
Apoiar20%27%
Reconhecer24%22%
Fazer coaching/mentoring16%14%
Consultar as pessoas14%15% 
* percentual de entrevistados que atribuíram importância 9 ou 10 em um ranking de 10

O desempenho de homens e mulheres em cada item, na visão dos homens

O que as empresas valorizamDesempenho das mulheres* Desempenho dos homens*
Solucionar problemas19%25%
Encorajar o trabalho em equipe27%24%
Influenciar a equipe22%30%
Inspirar19%22%
Delegar15%22%
Fazer networking24%27%
Apoiar26%20%
Reconhecer26%17%
Fazer coaching/mentoring22%13%
Consultar as pessoas29%17%
* percentual de entrevistados que atribuíram importância 9 ou 10 em um ranking de 10

Repare que nos cinco estilos de liderança mais valorizados pelos chefes (solucionar problemas, encorajar o trabalho em equipe, influenciar a equipe, inspirar e delegar), as mulheres superam os homens em apenas um item – embora se sobressaiam em outras características.

Para elas, a consequência da cultura que valoriza o estilo masculino é clara: apenas 19% das mulheres acreditam que têm as mesmas chances de promoção que homens tão qualificados quanto elas. Entre as que estão em cargos juniores, o percentual é de 27%.

O cenário se repete nos processos de seleção e indicação. Ao todo, 60% das mulheres em cargos juniores acreditam que há igualdade entre os gêneros durante os processos de seleção. Entre as executivas, o percentual cai para 31%.


Disponível em http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/como-os-homens-veem-as-mulheres-no-trabalho-e-vice-versa?page=1. Acesso em 29 dez 2013.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Minorias sexuais: das margens ao proscênio. Isso é real?

Rogério Amador de Melo
Tereza Rodrigues Vieira
Revista Direito & Bioética

Resumo: A transmodernidade vem sendo marcada pelas afetações diversas de subjetividades nômades que agenciam novos modos de existência, que ao longo dos anos emergem das margens sociais para relações mais próximas. Este engendramento rizomático nas relações, principalmente no que diz respeito às políticas sexuais de sexo/gêneros/sexualidades vem trazendo reflexões a respeito da visibilidade social adquirida pelas minorias sexuais, tendo em contrapartida as figuras e os discursos veiculados pelos meios de comunicação a respeito dessa temática e dessa população em específico. Contudo, o presente trabalho objetivou por meio de uma revisão de literatura, problematizar as interfaces da visibilidade conquistada pelo movimento LGBTTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersex) em contrapartida com as representações e discursos ainda disseminados de maneira fragmentada e sexista num palco de espetáculo dos considerados até então “anormais”.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Primeira 'transexual' da Academia de Letras relata preconceito

Mariane Peres
15/11/2013

Nicolly Bueno, de 30 anos, é o primeiro transexual a integrar a Academia de Letras de Presidente Venceslau. Com quatro livros publicados e professora da rede municipal de ensino, ela foi vítima de preconceito durante a infância e adolescência e encontrou na educação e na escrita uma oportunidade de ser aceita pela sociedade. Membro da associação desde 29 de outubro, ela acredita que a conquista é um obstáculo a mais superado.

“Eu me sinto imensamente realizada pelo que eu construí e pelo que busquei, porque, nas condições em que me encontro as coisas não são fáceis. Tive que mostrar para as pessoas que a minha capacidade não depende da minha opção sexual. Na academia, não sinto preconceito, as pessoas me respeitam e me aceitam. Na cidade, há indiferença”, conta.

O convite ser uma acadêmica veio na segunda tentativa e, para ela, foi um orgulho. Entretanto, sua trajetória na educação começou aos 15 anos, quando entrou para o antigo Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefan). Desde pequena, ela queria ser professora. Mas a caminhada foi marcada por confrontos com a família, bastante rígida, de acordo com ela.

“Na verdade, desde os cinco anos eu sentia que era diferente e meu pai é completamente preconceituoso, por isso eu sentia medo de me assumir. Quando cresci, queria virar padre, para não ter relações sexuais e não ser julgado, mas minha mãe não deixou. Me sintia deprimida por não poder ser quem era”, relata.

A partir de então, ela começou a participar de vários concursos e eventos de educação para buscar seu destaque. Ela decidiu estudar bastante para se tornar conhecida na cidade e assim ganhar seu espaço e tentar inibir o preconceito. “De certa forma, enterrei minha vida pessoal para me dedicar à vida profissional. Eu tinha medo porque minha família já me julgava”, diz.

O próximo passo era conseguir um espaço na Academia de Letras. Na primeira tentativa, ainda como homem, ela não conseguiu. “Eles alegaram a falta de idade, já que é preciso ter, no mínimo, 30 anos e na época eu estava com 24. Mas sei que decisão dos outros acadêmicos pesou também por causa da minha opção sexual”, acredita.

Após uma depressão profunda, Nicolly começou a fazer tratamento psicológico e constatou que para se curar era preciso que ela se mostrasse da maneira como sempre quis e pudesse expor a sua sexualidade. No início, foi difícil. “Quando assumi a transexualidade, muita gente achou que era uma questão de vaidade, mas não era isso. As pessoas comentavam coisas sem me conhecer. Nós, travestis e transexuais, sofremos muito”, afirma.

Tanto que ela, que nasceu Rodrigo e ainda usa os documentos com este nome, mesmo não tendo passado pela cirurgia de mudança de sexo, prefere ser chamada de transexual. “Tem muita gente que imagina que travesti é prostituta e está ligada à violência. Mas não é assim. As pessoas julgam sem piedade”, critica.


Disponível em http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2013/11/primeira-transexual-da-academia-de-letras-relata-preconceito.html. Acesso em 29 dez 2013.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Scruff, app de paquera para o público gay, chega ao Brasil

Gabriela Ruic
29/11/2013

Apps com foco em ajudar você a encontrar a sua cara metade, ou apenas uma boa diversão, estão em alta. Depois do Lulu, app feminino de avaliação dos homens, chega ao Brasil o Scruff, um aplicativo de paquera para o público GLS. Lançado em 2010 nos Estados Unidos e com mais de 5 milhões de usuários, o Scruff já é bastante popular no Brasil.

O país conta com meio milhão de pessoas cadastradas e é a segunda maior base do Scruff. Além disso, o Brasil tem na agenda dois grandes eventos, a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. E foi por estes motivos que Johnny Scruff e Jason Marchant, fundadores do app, resolveram oficializar a sua chegada aos smartphones e tablets brasileiros e agora contam com um consultor de marketing para reforçar o contato com o público, o jornalista Kleyson Barbosa.

O Scruff não é, contudo, o único aplicativo que pretende dar atenção ao coração deste público. OGridr, por exemplo, conta hoje com 6 milhões de usuários em todo o planeta e está presente em 192 países. Há ainda o Mister, que também divide o mesmo propósito. Mas qual é diferença entre o Scruff e os outros apps?

Bom, segundo Marchant, em entrevista exclusiva a EXAME.com. seu aplicativo é o primeiro a oferecer a chance de o usuário encontrar outras pessoas em diferentes comunidades, como “Coroa” e “Universitário”, além de ser o pioneiro a contar com opções para militares e transgêneros.

Ao escolher uma comunidade, o Scruff mostra os usuários online em âmbito global ou que estejam nas proximidades. A partir daí, é possível trocar mensagens com outras pessoas, adicionar as mais interessantes em uma lista de “Favoritos” e compartilhar álbuns de fotos privadas.

O app, que é compatível com iOS, Android e Windows Phone, funciona em um modelo fremium: seu download é gratuito, mas há vantagens para os usuários que desejarem contratar o plano Pro, que custa 12,99 dólares por mês ou 100 dólares por ano.

Esta versão oferece algumas outras funções, como, por exemplo, o cancelamento de mensagens enviadas, caso o usuário mude de ideia, ou a possibilidade de se adicionar uma senha de acesso ao app. Além disso, o assinante pode ainda visualizar os usuários que tenham o adicionado à lista “Quero conhecê-lo”.

Scruff no Brasil

De acordo com o Marchant, brasileiros são presença no app desde 2010. “Os usuários do Brasil nos ajudaram a traduzir o Scruff para o português e, desde então, nossa base só tem aumentado”, revelou o fundador.

Três cidades brasileiras estão entre as mais populares do mundo no app: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Atrás apenas dos Estados Unidos em números de usuários, o Brasil está à frente de lugares como Reino Unido, Taiwan e Espanha.


Disponível em http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/scruff-app-de-paquera-para-o-publico-gay-chega-ao-brasil?page=1&utm_campaign=news-diaria.html&utm_medium=e-mail&utm_source=newsletter. Acesso em 29 dez 2013.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Travestilidades: incursões sobre envelhecimento a partir das trajetórias de vida de travestis na cidade do Recife

Cicera Glaudiane Holanda Costa
IV Reunião Equatorial de Antropologia
XIII Reunião de Antropólogos do Norte e Nordeste
04 a 07 de agosto de 2013, Fortaleza-CE

Resumo: A experiência travesti suscita diversas reflexões referente a dicotomia masculino/feminino através da (re)construção de uma imagem, que ao mesmo tempo dialoga como pontua uma ruptura com a lógica dominante de gêneros. Esse mesmo corpo estabelece uma linguagem que narra pulsões e transgressões, que ganha significado a partir da cultura que está inserido e é atualizado e alterado a partir dela. Neste sentido, esta pesquisa tem como perspectiva contribuir para discussões dos processos de construção das travestilidades, assim como refletir sobre questões que problematizam a representação do corpo, gênero e sexualidade no cotidiano. Procurando, nesta direção, conhecer os significados atribuídos pelas travestis ao envelhecimento e ao corpo envelhecido. Essas questões foram acessadas a partir de elementos trazidos em seus discursos e da análise de fotografias e material audiovisual produzido em contextos diferentes nos encontros com as interlocutoras, especialmente em entrevistas vídeogravadas. As trajetórias de vida das travestis são compreendidas com base no “paradigma do curso da vida”, onde qualquer ponto da trajetória de vida precisa ser analisado de uma perspectiva dinâmica, como consequência de experiências passadas e expectativas futuras, e de uma integração entre os motivos pessoais e os limites do contexto social e cultural correspondente