domingo, 23 de março de 2014

Sexo é cola: para alguns

Suzana Herculano-Houzel
março de 2014

Você é convidado a entrar em uma sala desconhecida. No quarto à sua esquerda você vê, à sua disposição, um belo exemplar do sexo feminino com quem você viveu, poucas horas antes, tórridas e repetidas cenas de amor. No quarto à sua direita há uma beldade igualmente atraente, mas que você nunca viu antes. A escolha é toda sua, e ninguém ficará sabendo. Esquerda ou direita?

A cena é um “teste de fidelidade”, e em 80% dos casos, o candidato escolhe a parceira com quem ele havia feito sexo anteriormente. Se os papéis dos sexos se invertem, as fêmeas são ainda mais fiéis ao parceiro anterior, e o escolhem 90% das vezes.

Os candidatos bem que poderiam ser humanos, mas o ser em questão é o arganaz-do-campo (Microtus ochrogaster), um tipo de rato corpulento fortemente social e monogâmico. Arganazes-do-campo vivem em colônias onde os indivíduos vivem agarradinhos. Após o acasalamento, macho e fêmea dividem o mesmo ninho, cuidam juntos da prole, mantêm os filhos adolescentes por perto, preferem a companhia um do outro à de qualquer desconhecido, e os “maridos” tornam-se agressivos em relação a outros machos. Basta uma sessão de sexo e dali para a frente outros candidatos a parceiros serão recusados, no melhor estilo “felizes para sempre” dos contos de fadas.

Em comparação, um primo próximo, o arganaz-montanhês (Microtus montanus), é associal, promíscuo, não busca contato físico com seus semelhantes, e não divide seu ninho. A fêmea cuida sozinha da prole e abandona os filhotes cedo. E novos parceiros serão sempre bem-vindos.

A diferença entre as duas espécies tão próximas está na maneira como seu sistema de recompensa responde ao sexo – mais especificamente, a hormônios liberados no cérebro durante o orgasmo: oxitocina nas fêmeas, e vasopressina nos machos. Indivíduos da espécie monógama possuem numerosos receptores para os hormônios no estriado ventral do sistema de recompensa, que permitem que o sistema seja ativado pelos hormônios liberados no orgasmo. Já o estriado ventral da espécie promíscua é insensível aos hormônios.

O resultado? A ativação do sistema de recompensa pelos hormônios do orgasmo não só estende o prazer do sexo como faz com que o bichinho associe o prazer àquele parceiro em particular, formando um vínculo afetivo com ele (ou ela). Quando o estriado ventral é sensível aos hormônios do orgasmo, o sexo funciona como uma baita cola – e querer estar na companhia do outro, como a gente sabe, é o primeiro passo para a formação de um casal estável.

Mas se o estriado ventral é insensível aos hormônios do orgasmo, como nos arganazes-montanheses, nada feito: o sexo não leva à formação de vínculos afetivos. A não ser que eles recebam uma injeção no cérebro de um vírus que força a expressão de receptores no sistema de recompensa, o que transforma esses animais promíscuos em monógamos. Parece mágica – mas é ciência.

Humanos têm receptores para oxitocina e vasopressina em seu estriado ventral, o que nos coloca no grupo dos arganazes fiéis, ainda que a sensibilidade aos hormônios seja diferente entre indivíduos. De qualquer forma, considerando que nada disso acontece sem uma sessão de sexo, duas conclusões são certas. Primeira: escolha com cuidado quem você leva para a cama – porque periga o seu cérebro acabar mais amarrado do que você gostaria. E segunda: se você ficar mesmo amarrado, garanta a estimulação frequente do sistema de recompensa do (a) seu (ua) parceiro (a). É a maneira mais certa de assegurar o seu acesso permanente. E a sua exclusividade também…


Disponível em http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/sexo_e_cola_-_para_alguns.html. Acesso em 22 mar 2014.

sábado, 22 de março de 2014

Não, isso não é coisa pra homem: masculinidades e os processos de inclusão/exclusão em uma escola da Baixada Fluminense–RJ

Leandro Teofilo de Brito
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
José Guilherme de Oliveira Freitas
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Mônica Pereira dos Santos
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Revista Latino-americana de Geografia e Gênero
Ponta Grossa, v. 5, n. 2, p. 114 - 125, ago. / dez. 2014

Resumo: Esta pesquisa, de inspiração etnográfica, tem por objetivo compreender de que modo os processos de inclusão/exclusão se fazem presentes nas construções de masculinidades de alunos de turmas do ensino fundamental, em uma escola pública municipal de Nova Iguaçu, região da Baixada Fluminense, estado do Rio de Janeiro. A partir da análise dos dados encontrados no campo de pesquisa, constatamos que a modificação ou a construção de novas culturas de inclusão relacionadas às questões de gênero no espaço escolar, em especial ao reconhecimento de variadas e múltiplas formas de masculinidades, que se diferenciem de – e contestem - sua forma hegemônica, mostra-se como o principal fator de mudança e de combate aos processos de exclusões, influenciando políticas e práticas escolares na busca incansável e incessante pelo movimento da inclusão no contexto educacional.



sexta-feira, 21 de março de 2014

As aparências enganam

CLAM
17/02/2014

Quando foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2006, o PL 6655/2006 guardava um significado importante no campo dos direitos humanos. Naqueles anos, a mudança de nome e sexo nos registros civis geralmente era rejeitada pela justiça. No Senado, o projeto mudou de identificação, tornando-se o PL 72/2007. Foi aprovado em 2010 na Comissão de Direitos Humanos. No final do ano passado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) resgatou o projeto e, como relator, obteve aprovação na Comissão de Constituição e Justiça. No entanto, na conjuntura atual, o projeto ameaça conquistas já obtidas, conforme ativistas ouvidos pelo CLAM, que vem acompanhando as discussões sobre o projeto.

No cenário atual, a mudança de nome e sexo depende de processo judicial, já que o país não possui legislação que faculte a alteração. O PL/2007 mantém o âmbito da justiça como garantidor do direito, dispensando a necessidade de a pessoa ter passado pela redesignação genital, o que é uma das demandas dos movimentos trans. Na prática, no entanto, muitos juízes autorizam a mudança nos documentos sem a realização da cirurgia. “O projeto tal como está não avança em nada, pois preserva o processo judicial para a troca do nome. Assim, preserva a noção de que o direito das pessoas precisa de alguma tutela”, afirma a advogada Luísa Stern, integrante da Comissão Especial da Diversidade Sexual da OAB-RS.

Países como a Argentina e o Uruguai possuem legislações mais avançadas. Ambas as nações permitem por lei que seus cidadãos modifiquem o nome e o gênero em suas identidades independentemente da condição biológica e das mudanças corporais. A vivência pessoal e a auto-identificação de cada pessoa é o suficiente para a alteração no registro civil. No Brasil, pela lei que corre no Senado, não apenas a tutela da justiça permanece. Apesar de eximir a necessidade da mudança genital, a lei condiciona a alteração nos documentos a um laudo médico. “A obrigatoriedade do laudo médico é um retrocesso enorme, pois mantém a noção patológica da transexualidade em um momento em que as discussões internacionais demandam a despatologização das identidades trans”, critica Luísa Stern.

A advogada, que integra o grupo G-8 Generalizando do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), destaca que o grupo realiza mutirões de ações judiciais voltados para os direitos das pessoas trans. Nessas ações, laudos psicológicos têm sido utilizados e aceitos para demandar as alterações nos documentos. Assim, os mutirões, uma iniciativa pioneira, dispensam a lógica médica. “O PL 72/2007 coloca em perigo os mutirões ao atrelar a mudança a um laudo médico. Ou seja, na verdade, representa um retrocesso até mesmo para as conquistas jurídicas que temos alcançados com pareceres de psicólogos. Muitos juízes apresentam sentenças favoráveis às alterações nos documentos com tais pareceres. Essa dinâmica será inviabilizada com o projeto de lei”, ressalta Luísa Stern.

Mesma opinião tem Leonardo Tenório, presidente da Associação Brasileira de Homens Trans (ABHT). A entidade tem se mobilizado para evitar que o PL 72 seja aprovado em definitivo. “Essa iniciativa constitui um passo atrás para os direitos das pessoas trans. Reforça o caráter patológico quando o laudo médico tem sido desnecessário para muitos juízes. A Defensoria de São Paulo, por exemplo, possui um modelo de petição, apenas com laudo de psicólogos, que é encaminhado ao juiz. Temos conseguido garantir a mudança nos registros das pessoas dessa forma”, afirma Leonardo Tenório.

Um dado preocupante, de acordo com Luísa Stern, é a previsão de que a retificação do registro de nascimento será feita com a menção de que a pessoa é transexual. “Na certidão de nascimento, irá constar que a pessoa é transexual. Isso é um absurdo. Atualmente, a maior parte das decisões judiciais mantém o sigilo do motivo da mudança. Da forma como o PL 72 propõe, a condição transexual ganha um peso estigmatizador. Por que registrar textualmente? A pessoa não tem direito a definir sua identidade conforme sua vivência?”, questiona a advogada Luísa Stern.

A aprovação do projeto de lei no Senado tem um impacto mundial, de acordo com Leonardo Tenório, da ABHT. Desde 2009, a Campanha Internacional Stop Trans Pathologization mobiliza ações pelo mundo em nome da eliminação de categorias patológicas sobre o trânsito entre os gêneros dos manuais médicos. No plano global, também a Organização Mundial de Saúde revisa periodicamente as estratégias de saúde e o panorama legal dos países-membros. “É importante, para o cenário mundial, que os países avancem na despatologização da transexualidade. Isso representa um ganho político. Por isso, o PL 72 torna-se uma barreira aos esforços globais de retirar a transexualidade dos livros de doença”, afirma Leonardo Tenório.

O PL 72 implica ainda em riscos para a população trans como um todo, pelo seu caráter excludente. O texto prevê a troca nos registros apenas para indivíduos transexuais. “Como ficam as travestis? Existem decisões judiciais que permitem a retificação dos registros para pessoas que se identificam como travestis. O texto do PL 72 irá criar uma situação de restrição, pois juízes podem negar a mudança alegando ausência de previsão legal”, afirma Luísa Stern.

Diante do panorama, tanto Luísa Stern quanto Leonardo Tenório apontam como solução o PL João Nery, proposto pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e que prevê faculta ao indivíduo trans o direito de alterar seus documentos de acordo com sua vivência, sem a tutela médica ou judicial. Batizado de PL João Nery, escritor brasileiro nascido anatomicamente mulher e posteriormente assumindo-se como homem, o texto assemelha-se ao modelo argentino. “O Estado brasileiro deve optar por esse caminho. O PL 72 é uma ameaça aos direitos trans. Por isso, é preciso discussão e mobilização para mostrar aos legisladores os perigos que estão contidos no texto”, finaliza Leonardo Tenório.

Leia abaixo manifestos lançados por movimentos sociais e entidades civis contra o projeto.

Carta da Associação Brasileira de Homens Trans (ABHT): http://homenstrans.blogspot.com.br/2013/12/abht-tambem-se-posiciona-contra-o-pl.html

Nota da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA): http://luisastern.wordpress.com/2013/12/09/nota-da-antra-sobre-o-plc-722007

Nota Comissão de Diversidade Sexual da OAB: http://homenstrans.blogspot.com.br/2013/12/conselho-federal-da-oab-de-manifesta.html


Disponível em http://www.clam.org.br/destaque/conteudo.asp?cod=11416. Acesso em 20 mar 2014.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Campanhas refletem diversidade dos EUA

 Natalie Zmuda
13 de Março de 2014

Tim Mahoney viu o potencial para o problema. Como parte da campanha da Chevrolet "Find New Roads", o diretor de marketing da marca ajudou a criar um comercial que seria lançado nas Olimpíadas de Sochi apresentando famílias, que incluíam os casais inter-raciais e homossexuais. O tema era: "O novo nós".

Antes de liberar o filme, o Sr. Mahoney revisou a campanha Commonwealth - criada com grandes executivos e centenas de associações locais de marketing. As equipes de comunicação da montadora também foram preparadas para responder a um feedback negativo. "Os negociadores reconheceram que poderia perturbar algumas pessoas", disse Mahoney. "Mas, fundamentalmente, eles também perceberam que é conveniência da Chevrolet expandir e trazer mais pessoas para dentro".

Em última análise, ele disse que a mensagem era "reafirmar que a Chevrolet é uma nova empresa com uma nova maneira de pensar... É um reconhecimento de que a América mudou”

Enquanto a América cresceu socialmente, a Madison Avenue parou um tempo para refletir essa realidade. A cultura pop normalmente define os limites da conversação social, disse Jason Chambers, autor de "Madison Avenue and the Color Line" e professor na Universidade de Illinois. A publicidade provou ser a última fronteira quando se trata de refletir sobre mudanças na sociedade. "Há uma hesitação natural para falar para onde [os consumidores] estão, em vez de levá-los para onde deveriam ir, porque e se eles disserem, 'não' ? ", disse Chambers.

De acordo com dados do Censo EUA de 2010, um em cada 10 - ou 5,4 milhões - de casais heterossexuais são inter-raciais, um aumento de 28 % desde 2000. De acordo com os dados, o número de casais de pessoas do mesmo sexo somam nos EUA 646 mil, um aumento de 9% desde 2000.

Isso pode explicar porque foi só no ano passado que os marketeiros abraçaram a inclusão nas campanhas de mercado de massa, marcada por grandes nomes como Coca -Cola, General Mills e Chevy em grandes palcos da publicidade. A Coca-Cola criou um formato lindo de diferentes pessoas cantando "America the Beautiful", em uma série de idiomas.

A General Mills reuniu pais de raça mista em ‘Gracie’, a jovem estrela do cativante comercial da Cheerios para o Super Bowl. Eles se juntam a Banana Republic, da Gap Inc, ‘Swiffer and Guinness’, da Procter & Gamble, todos os que têm usado um elenco mais diversificado nas últimas semanas.

Espaço para o progresso

Os especialistas em marketing dizem que este é o momento em que os historiadores sociais provavelmente vão declarar um ponto relacionado à publicidade nos próximos anos. Mas, na verdade, o mercado está atrasado para o jogo, e muito progresso ainda está para ser feito. “O país mudou um pouco em uma direção mais liberal socialmente, mesmo nos últimos dois a três anos. Mas, em alguns aspectos, ainda estamos onde estávamos na década de 1970, quando começamos com publicidade integrada", disse Chambers.

Ele disse que os anúncios da Cheerios são reminiscentes de alguns dos primeiros anúncios de integração racial, onde diferentes raças estavam presentes, mas não necessariamente interagiam. No primeiro anúncio, ele observa que o casal é mostrado em diferentes quartos, enquanto que no segundo anúncio, eles estão em pé a vários metros de distância e apenas trocam um olhar. “Você nunca vê os pais próximos. Eles não têm esse nível de intimidade social".

Da mesma forma, JC Penney fez manchetes e ganhou mais alguns consumidores em 2012, com o seu apoio inabalável da apresentadora Ellen DeGeneres, que é abertamente gay, diante de protestos de Um Milhão de Mães. Mas isso não significa que ele mostrou DeGeneres beijando outra mulher em um anúncio nacional.

Para ser justo, os anunciantes estavam molhando os pés nessas águas há anos. Mas o movimento tem sido de empresas progressistas e de nicho, e não aqueles que visam o meio mainstream.

Marcas da United Colors of Benetton até Expedia têm amplamente estrelado casais inter-raciais ou casais gays na mídia impressa, anúncios digitais e em outdoors. Um que foi amplamente discutido foi o "Da da da", da Volkswagen, em 1997, que mostrava dois homens em um carro, mas não estava explícito seu relacionamento.

A diferença agora é a escala. "Grandes marcas despertaram para a compreensão de que pelo menos parte do Partido Republicano acordou em 2012, que é que os jovens norte-americanos de todos os tipos apoiam a diversidade e organizações ou marcas que afirmam explicitamente a sua aceitação da diversidade", disse David Rogers, professor de marketing digital na escola de marketing da Universidade de Columbia.

Bom para os negócios?

Por que demorou tanto tempo? Agora os anunciantes estão percebendo que é bom para os negócios. Navegando pela página do Facebook da Chevrolet, por exemplo, vemos que os consumidores tomaram a defesa da marca contra comentários depreciativos.

De acordo com YouGov BrandIndex, a percepção da Chevrolet disparou com a comunidade LGBT, assim como a consideração. O buzz entre pessoas de 18 e 34 anos, também está em ascensão. E um número desproporcionalmente alto de pessoas que viram o anúncio do hino da Chevrolet disseram que recomendariam a marca, de acordo com Advertising Benchmark Index.

"É provavelmente uma boa decisão de negócios, ao longo do tempo", disse Lars Perner, da Universidade de Marshall School of Business do Sul da Califórnia, observando que os consumidores gays e lésbicas, em média, tendem a ter rendimentos mais elevados.

Ainda assim, o proveito tirado a partir destas campanhas não era sobre o delicioso sabor da Coca-Cola ou os benefícios de saúde de Cheerios. Era que a Coca-Cola e a marca de cereais apoiavam a diversidade e inclusão. "As pessoas parecem ter decidido que a diversidade pode ser usada como uma declaração. É uma mudança interessante", disse Jaime Prieto, presidente da marca global da Ogilvy. “Eu recomendaria [essa estratégia] como uma forma de ser uma marca autêntica no ambiente de hoje.”

Esses valores de marca também estão jogando no campo político. Empresas no mês passado, incluindo Apple, Salesforce.com e Target publicamente (e com sucesso) pressionaram o governo da Arizona. Jan Brewer apoiou o veto da medida do estado que permitiria às empresas a discriminar gays e lésbicas por motivos religiosos.

Mas, enquanto a inclusão exibida em anúncios recentes podem ter lançado um ponto sobre determinadas marcas, também tem sido polarizador e geralmente não conduziram os consumidores agirem, disse Garry Getto , presidente da Advertising Benchmark Index.

"Só porque a maioria está concordando com a marca, não significa necessariamente que eles estão apoiando a marca com seus bolsos", disse Ted Marzilli , CEO da YouGov BrandIndex .

E para a maioria das marcas esse é o cálculo: não o que elas poderiam ganhar, mas o que estão arriscando perder.

"Há ainda uma abundância de clientes muito conservadores, que não gostariam de estar à frente", disse Prieto.

Mais por vir – lentamente

Mesmo as marcas que estão sendo elogiadas por sua bravura quando se trata de diversidade no elenco, elas hesitam em falar abertamente sobre sua abordagem. Várias marcas contatadas para este artigo se recusaram a fazer disponibilizar seus executivos para entrevistas, preferindo usar declarações e deixar os anúncios falarem por si. "A Cheerios reconhece que há muitos tipos de famílias e celebramos todos eles", disse Doug Martin, gerente de marketing da Cheerios, em um comunicado.

Mr. Chambers parafraseou uma citação de seu livro, observando que "o empresário não quer contrariar ninguém, mesmo os fanáticos". Em outras palavras: "Eu não acho que ninguém queira colocar os pés pelas mãos ", ele disse. A porta-voz da Coca -Cola disse em um comunicado: "Nós acreditamos que "It’s Beautiful" é um grande exemplo da mágica que faz nosso país tão especial, e uma mensagem poderosa que espalha otimismo, promove a inclusão e celebra a humanidade, valores que são fundamentais para a Coca- Cola".

Eles podem não estar chamando atenção para isso, mas cada vez mais os marketeiros estão procurando rostos diferentes para seus anúncios - embora lentamente. Francene Selkirk, diretor de elenco por trás da família inter-racial da Cheerios, disse que ela viu um aumento nos pedidos para elencos mistos e modelos de diferentes etnias. "É assim que o mundo é hoje em dia. Estou decepcionada porque não vejo mais isso na publicidade”, disse ela.

Um efeito colateral irônico desta integração da diversidade nos anúncios pode ser um empecilho para as agências multiculturais. Esta abordagem de mercado total "é uma nova tendência que parece estar ganhando tração", disse Bill Duggan, executivo e VP da Associação Nacional dos Anunciantes. "Um grande ponto de atrito ou discussão aqui tem a ver com as agências de publicidade. Mais agências 'para o mercado em geral’ estão fazendo este tipo de trabalho. Como resultado, isso é uma ameaça para as mais "tradicionais" agências multiculturais, embora algumas dessas agências estão fazendo este tipo de trabalho também e vendo como uma oportunidade" .

Mr. Chambers, por exemplo, está curioso para ver onde a indústria estará em quatro a seis meses, bem como o que os marqueteiros terão como parte de sua cadência "normal" de marketing. "Nós tivemos um par de grandes momentos – o Super Bowl e Olimpíadas. Toda vez que temos coisas assim, os comerciantes e os anunciantes estão sempre dispostos a fazer as coisas um pouco diferente para se destacar mais", disse ele. "Vamos entrar em um novo espaço, entrar em novas iterações de publicidade desses comerciantes e ver o que nós temos."

Sr. Mahoney disse que se sente que a Chevrolet "acaba de abrir a porta... Nós temos que continuar a trabalhar com ela. O novo trabalho tem que seguir este trabalho. Caso contrário, é como, 'Oh , eles tentaram isso.' ".

Disponível em http://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/noticias/2014/03/13/Campanhas-refletem-diversidade-dos-EUA-.html?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_content=&utm_campaign=links. Acesso em 15 mar 2014.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Os efeitos de personagens LGBT de telenovelas na formação de opinião dos telespectadores sobre a homossexualidade

Welton Danner Trindade
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP
XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação
Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011

Resumo: De 2003 a 2008, a Rede Globo de Televisão exibiu nove telenovelas consecutivas no horário das 21h com personagens LGBT, cujas histórias retratam a homofobia e a busca desse segmento por igualdade de direitos e aceitação. Esta pesquisa analisa os efeitos que a exibição dessas trajetórias têm na formação de opinião a respeito do tema por parte de telespectadores do Distrito Federal. Foram aplicados 260 questionários junto a integrantes da audiência. São bases teóricas principais desta pesquisa os Estudos Culturais e a perspectiva das multimediações, de Guillermo Orozco Gómez, a qual coloca como necessário ver o receptor pelo prisma dos grupos sociais aos quais ele pertence. A conclusão é que as personagens homossexuais mostradas pelas telenovelas influíram de forma significativa na maior aceitação pelos telespectadores de pessoas não-heterossexuais e de direitos por elas reivindicados.