sexta-feira, 25 de abril de 2014

Governo publica portaria com direitos para presos gays e travestis

G1
17/04/2014

A Secretaria de Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, publicou nesta quinta-feira (17) uma portaria com normas para o recebimento de presos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros em presídios do país. Entre as normas está a de que aos presos gays e travestis em presídios masculinos deverão ser oferecidos espaços de convivência específicos.

A portaria também prevê que o preso LGBT tem o direito, se preferir, de ser chamado pelo nome social. Além disso, o nome social deve constar no registro de admissão no estabelecimento.

Segundo o texto, que passa a vigorar  a partir desta quinta, data de publicação, as pessoas transexuais masculinas e femininas deverão ser encaminhadas para as unidades prisionais femininas.

Aos presos LGBT será dado o direito de escolher roupas masculinas ou femininas e também de manter o cabelo comprido. As visitas íntimas estão garantidas, como para os outros presos.

O texto ainda garante que o cônjuge do preso LGBT, inclusive do mesmo sexo, receba o benefício do auxílio-reclusão.

A portaria não estabelece sanções para o presídio que não cumprir as normas.


Disponível em http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/04/governo-publica-portaria-com-direitos-para-presos-gays-e-travestis.html. Acesso em 17 abr 2014.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A guerra declarada contra o menino afeminado

Giancarlo Cornejo

Na escola havia una psicóloga que me torturava. Ela nos aplicava exames que eu não entendia (e ainda não entendo o sentido): desenhávamos pessoas; a nossa família; fazíamos listas de nossos defeitos e virtudes. Ela sempre se queixava com meus pais. Me lembro que uma vez  quando ela chamou a mim e aos meus pais. Vi claramente meu nome em seu caderno de anotações, e no verso dele um X em uma opção que dizia: “problemas de identidade sexual”. Eu não estava presente quando ela conversou com meus pais, mas o que ela disse a eles, e o que eu mais ou menos já intuía, os chateou muito.

Parte desta minha narrativa escrevi inspirado pelo belo ensaio de Eve Sedgwick “How to bring your kids up gay” (1993 [2007]). Nesse ensaio, Sedgwick propõe que a figura do menino afeminado concentra com particular virulência a patologização da homossexualidade. De fato a psicóloga que mencionei declarou que eu tinha um transtorno de identidade de gênero. Este tipo de teorias de gênero foram propostas inicialmente por psicólogos como Richard C. Friedman, para quem “o homossexual saudável é aquele que já é um adulto e (b) age masculinamente” (Sedgwick 1993: 156, tradução minha). Sedgwick, além disso, se lembra que:

O movimento gay nunca foi a fundo para atender os assuntos relativos aos meninos afeminados. Há uma razão desonrosa para essa posição marginal ou estigmatizada a qual, inclusive, os homens gays adultos que são afeminados têm sido relegados no movimento social. Uma razão mais compreensível que a “afeminofobia”  é a necessidade conceitual do movimento gay de interromper uma longa tradição de ver o gênero e a sexualidade como categorias contínuas e coladas – uma tradição de assumir que qualquer pessoa, homem ou mulher, que deseja um homem deve por definição ser feminina, e que qualquer pessoa, homem ou mulher, que deseje uma mulher deve, pela mesma razão, ser masculina. Que uma mulher, como uma mulher, possa desejar a outra; que um homem, como um homem, possa desejar outro: a necessidade indispensável de fazer estas poderosas e subversivas afirmações pareceu, talvez, requerer que se diminuísse a ênfase relativa dos vínculos entre os gays adultos e aqueles meninos em desacordo com o gênero (normativo)… Existe o perigo, no entanto, que este avanço possa deixar o menino afeminado mais uma vez na posição do abjeto inquietante – desta vez o abjeto inquietante do próprio pensamento gay… o eclipse do menino afeminado no discurso gay adulto representaria mais que um vazio teórico prejudicial; representaria um nó de ódio homofóbico, ginecofóbico e pedofóbico internalizado e aniquilante e um elemento central para a uma análise gay afirmativa. O menino afeminado viria a funcionar como o segredo das vozes desautorizadoras de muitos homens gays adultos politizados” (1993: 157-158, tradução minha)

O menino afeminado é um segredo nas vozes e pensamento gay, e isso, pelos motivos apontados por Sedgwick, talvez se deva a um terror à indeterminação de gênero. Finalmente dissociar a homossexualidade da (menos respeitável) transgeneridade provavelmente tem sido uma das formas pela qual a homossexualidade tem aparecido como menos ameaçadora, e foi certamente, uma das formas pelas quais ela foi retirada da lista de patologias do “Manual Diagnóstico e Estatístico dosTranstornos Mentais” (DSM-III). Basta recordar que o DSM-IV, publicado em 1980, foi o primeiro a incluir uma nova entrada: “o transtorno de identidade de gênero na infância”. Não obstante, ou talvez por isso mesmo, minha intenção seja resgatar estas conexões e vínculos entre a transgeneridade e a homossexualidade. Vale ressaltar que estes limites ou fronteiras tem sido amplamente problematizados no caso das lésbicas masculinizadas (butch) e de transgêneros masculinos, como os trabalhos de Judith Halberstam (1998 e 2005) mostram. No entanto, no caso das feminilidades masculinas estas não parecem ser disputadas por gays (Bryant 2008, Valentine 2007). No que escrevo a seguir só poderei dar pistas de como a patologização da figura do menino afeminado cria um tropo[1] discursivo que torna impossível desassociar a transgeneridade da homosexualidade (masculina).

Quase todos meus professores me adoravam, mas me lembro que os que lecionavam educação física eram particularmente hostis a mim. Um destes professores falou com meu pai, porque estava preocupado comigo, e disse a ele (a meu pai) que eu era muito afeminado, e que todos meus colegas zombavam de mim. Meu pai, ao chegar em casa, me repreendeu, e não duvidou em me culpa pela hostilização sistemática pela qual eu passava no colégio. Quando este professor chamou meu pai para falar sobre o meu afeminamento, tornou-se inevitável e óbvia a patologização do meu corpo, como das minhas performances de gênero. O que não era tão óbvio é que, naquele momento, este jovem e atlético professor estava reconhecendo a sua própria impotência para modificar meu afeminamento, sua impotência para me fazer o homem que se supunha eu deveria ser, e sua impotência para marcar claramente os limites entre ele e eu. Me lembro que este não era um professor particularmente hostil a mim. De fato, sempre me convidava para jogar futebol, ou para correr com ele e seu grupo, para fazer longas caminhadas, para fazer abdominais. Na verdade, era bem atencioso comigo. No entanto, eu recusava todos aqueles convites, eu não me deixava impressionar por todos os seus esforços, e certamente eu não lhe dava muita atenção.

Como Sedgwick afirma, e meu pai nunca pode sequer considerar: “Para um menino afeminado protogay identificar-se com o “masculino” pode implicar em seu próprio apagamento”. (1993: 161, tradução minha). O que a cultura me demandava era que me desvanecesse.

Halberstam cita uma potente pergunta retirada da obra de Gertrude Stein intitulada Autobiografia de todo o mundo (de 1937): “De que te serve ser um menino se vais crescer para ser um homem?” (2008:23) De que me servia ser um menino se minha infância era pensada como uma transição a um espaço e a um nome que me parecia inabitável? Por que este menino não podia ter outros futuros?

Por muitos meses sentia demasiada angustia, tinha insônia, me doía a cabeça e o copo, chorava antes de ir dormir, me encontrava querendo dizer coisas que não sabia o que eram exatamente, mas que tinha de dizê-las. Era Natal de 1996, e eu tinha onze anos, e estava só com minha mãe e meu irmão menor. E comecei a chorar, a chorar, a chorar com gemidos muito fortes. Então eu disse para minha mãe que tinha algo para dizer a ela, e o que balbuciei foi: “Mãe, acho que eu tenho atração por homens”. Minha mãe também começou a chorar, porque ela entendeu o que eu quis dizer. Logo, ela nos levou ao cinema para ver uma estúpida comédia de Arnold Schwarzenegger, um suposto símbolo de masculinidade heterossexual branca. Mas será que por acaso minha mãe suspeitava que ele também podia ser um ícone homoerótico?

Se esse menino (que eu fui) viveu meses e anos de dor, angustia, pânico (homossexual) foi porque a díade segredo/revelação é constitutiva do que chamamos hoje homossexualidade (Sedgwick 1998). Este segredo em questão me ameaçava com meu próprio apagamento, mas não apenas com a materialidade que eu havia sido, mas com um apagamento que aniquilava qualquer possibilidade de futuro, e com uma  materialidade que fazia com que o amor  (de qualquer tipo) fosse impossível para mim.

Não posso negar que compartilhar o segredo me causou algum tipo de alívio. Provavelmente se não o houvesse feito naquele momento teria integrado a lista de adolescentes gays que se suicidam. Mas, em que consistia o alívio? Este cenário não questiona (necessariamente) a privatização da homossexualidade nem sua paródica espectacularização como segredo. Estou mais inclinado a pensar, seguindo Mario Pecheny (2002 [2005]), que cita o trabalho de Andras Zempleni, que não é a revelação de uma verdade interna o que mais alivia, mas, ao compartilhar um segredo (e talvez este em particular) se compartilha também a angustia e a dor que encarna a demanda de ocultar-lo/exibi-lo.

Esta pode ser vista como a cena em que saio do armário, mas me recuso a chamá-la e pensá-la assim. Nenhum armário foi destruído, nem os monstros que o habitavam foram domados e aniquilados. O pedido ou súplica que fiz à minha mãe não foi que me ajudasse a sair do armário, mas que o fizesse mais habitável para mim. Eu não sai do armário, na verdade, ela entrou nele.

Neste ponto se faz mais que necessária a seguinte pergunta: Por que uma guerra é declarada contra uma criança? Há uma potente citação de Sedgwick que pode nos dar algumas pistas neste sentido:

A capacidade do corpo de um menino de representar, entre outras coisas, os medos, fúrias, apetites, e perdas das pessoas ao redor… é aterrorizante, quem sabe, em primeiro lugar para elas, mas com um terror que o menino já aprendeu com grande facilidade e, de todos modos, com muita ajuda. (1993 p. 199, tradução minha).

Toda esta dor, toda a angustia que senti nessa época da minha vida pode também ser pensada como melancolia. E aqui eu gostaria de fazer uma contribuição à teoria da melancolia de gênero de Butler (2001). Uma diferença entre a melancolia heterossexual e a homossexual, é que como eu na minha infância, e a maioria de sujeitos não heterossexuais que conheço temos chorado (ou choramos) por não sermos heterossexuais. Alguém poderia argumentar que não é que choremos ou tenhamos chorado por não sermos heterossexuais (e por não podermos amar e desejar sexualmente a mulheres no caso de “ser” homens), mas que choramos por não ter os privilégios que a heterossexualidade implica. Mas estas duas posições são (tão) diferentes assim uma de outra?

Aqueles “tratamentos psicológicos” procuravam, supostamente, fazer com que minha homossexualidade fosse impronunciável, mas faziam, na verdade, que ela proliferasse e que tudo tivesse a ver com ela. Como Butler (2004) argumenta, a homossexualidade em certos contextos pode constituir-se como uma palavra contagiosa.

De fato em nenhuma parte deste ensaio seria mais pertinente fazer referência a seguinte (e  muito citada) passagem de Michel Foucault:

A sodomia… era um tipo de ato interdito e o autor não era mais que seu sujeito jurídico. O homossexual do século XIX torna-se um personagem: um passado, uma história e uma infância, um caráter, uma forma de vida; assim mesmo uma morfologia, com uma anatomia indiscreta e, quem sabe, uma misteriosa fisiologia. Nada daquilo que ele é escapa a sua sexualidade. Ela está presente em todo seu ser: subjacente em todas suas condutas, posto que constituí seu principio insidioso e indefinidamente ativo; inscrita sem pudor em seu rosto e seu corpo porque consiste em um segredo que sempre se trai… A homossexualidade apareceu como uma das figuras da sexualidade quando foi rebaixada da prática da sodomia a uma sorte de androginia interior, de hermafroditismo da alma. O sodomita era um reincidente, o homossexual é, agora, uma espécie. (1977[2007]: 56-57).

As inumeráveis psicólogas a quais fui levado por meus pais esperavam de mim uma confissão, a confissão de minha verdade interior, uma verdade que era eminentemente sexual. Mas esta “verdade interna” não era tão minha. Nos termos de Foucault: “aquele que escuta não será só o dono do perdão, o juíz que condena ou absolve; será o dono da verdade”. (1977[2007]: 84). Esta era a “verdade” de uma cultura heteronormativa, não a minha. E como Halperin (2000) argumenta, a homofobia é uma pretensão de conhecimento. Isso faria visível que a homofobia tem um fundamento essencialmente prazeroso também, um prazer novo da modernidade sobre o que Foucault comenta:

Frequentemente se diz que temos sido capazes de imaginar prazeres novos.  Ao menos inventamos um prazer diferente: o prazer na verdade do prazer, prazer em saber-la, em expor-la, em descobri-la, em fascinar-la ao vê-la, ao dizê-la, ao cativar e capturar os outros com ela, ao confiná-la secretamente, ao desmascará-la com astucia; prazer específico no discurso verdadeiro sobre o prazer”. (1977[2007]: 89).

Eu não fui o único patologizado por estes professores, psicólogas e psiquiatras, o foram também meus pais, e especialmente minha mãe. Figuras como as do “pai ausente” ou “mãe super protetora” não tardaram a aparecer como explicações de (pois teria que ser explicado) meu afeminamento. Esther Newton cita a obra de Robert Stoller para quem a figura do menino afeminado é produto da grande proximidade e presença da mãe e pouca do pai. Assim, “a verdadeira vilã é a mãe que se ‘gratifica’ muito com seu filho” (Newton 2000: 191, tradução minha). De fato, quem me acompanhava às sessões com diferentes psicólogas era minha mãe. A ela se dirigiam, e sobre ela recaiam as atribuições de culpa e responsabilidade. E de que a culpavam realmente? Talvez por atribuir a ela aquele que é considerado o pior dos crimes: matar a seu próprio filho. Nas palavras de Edelman “[Se] representa a homossexualidade masculina através da figura de uma mãe que mata seu filho, e quem, portanto participa na destruição de continuidade familiar (patriarcal)”. (1994: 167, tradução minha).

Como a homossexualidade de uma criança se transfigura em seu assassinato? Creio que Stockton acerta ao postular que “a frase “menino gay” é uma lápide para marcar o lugar e o momento em que a vida heterossexual de alguém morre” (2009: 7. Tradução minha). Em outras palavras, o berço de um menino mariquinha é a lápide de um menino heterossexual.

A categoria “mulher” é reiterada uma e outra vez nestas intervenções disciplinarias sobre meu corpo de uma maneira heteronormativa e misógina, que já Guy Hocquenghem sublinhou: “‘A mulher’, que por outro lado não tem como tal nenhum lugar na sociedade, designada como o único objeto sexual social, é também a falta atribuída à relação homossexual”. (2009: 54)

Minha mãe era assim patologizada por seu generoso afeto, que por estes “profissionais da saúde” será chamado super proteção e excessiva arogância, e que geraria (em mim) um quadro de neuroses que estaria associado a um ódio em relação às mulheres, que seria no fundo uma projeção de um ódio fecundo em relação à minha mãe. Minha mãe seria essencialmente patologizada também por um outro excesso: por um excesso de masculinidade, que se expressava em sua relativa independência, em sua voz, em suas atitudes (ou na ausência delas), e em ser a principal provedora econômica da minha casa. Não era só era meu gênero aquele a ser disciplinado, o dela também o era.

Na sua míope vontade de saber, o que nenhuma destas psicólogas pôde nem por um segundo considerar, e que Sedgwick sabia, e no que eu quero acreditar, é que “estas misteriosas habilidades para [que um menino afeminado possa] sobreviver, de filiação e de resistência podem derivar de uma firme identificação com a abundancia de recursos de uma mãe” (1993: 160, tradução minha).

Bibliografia
BRYANT, Karl. 2008. In Defense of Gay Children? ‘Progay’ Homophobia and the Production of Homonormativity. En: Sexualities, vol. 11, n. 4. 455-475.
BUTLER, Judith. 2001. Mecanismos psíquicos del poder. Teorías sobre la sujeción. Madrid: Ediciones Cátedra.
BUTLER, Judith. 2004. Lenguaje, poder e identidad. Madrid: Síntesis.
EDELMAN, Lee. 1994. Homographesis: Essays in Gay Literary and Cultural Theory. New York & London: Routledge.
FOUCAULT, Michel. 1977 (2007). Historia de la Sexualidad 1: La voluntad de saber. México DF: Siglo Veintiuno.
HALBERSTAM, Judith. 1998. Female Masculinity. Durham & London: Duke University Press.
HALBERSTAM, Judith. 2005. In a Queer Time and Place. Transgender Bodies, Subcultural Lives. New York & London: New York University Press.
HALBERSTAM, Judith. 2008. Masculinidad femenina. Barcelona & Madrid: Egales.
HALPERIN, David. 2000. San Foucault: Para una hagiografía gay. Córdoba: Ediciones Literales.
HALPERIN, David. 2004. How to Do the History of Homosexuality. Chicago & London: The University of Chicago Press.
HOCQUENGHEM, Guy. 2009. “El deseo homosexual”. En: El deseo homosexual/ Terror anal. Hocquenghem, Preciado. España: Melusina.
PECHENY, Mario. 2002 [2005]. “Identidades discretas”. En: Identidades, sujetos y subjetividades. Comp: ARFUCH. Buenos Aires: Prometeo Libros. 131-153.
NEWTON, Esther. 2000. Margaret Mead Made me Gay: Personal Essays, Public Ideas. Durham y Londres: Duke University Press.
SEDGWICK, Eve. 1993. Tendencies. Durham: Duke University Press.
SEDGWICK, Eve Kosofsky. 1993 [2007]. “How to Bring Your Kids Up Gay”. En: Fear of a Queer Planet: Queer Politics and Social Theory. Ed: Warner. Minneapolis & London: University of Minnesota Press. 69-81.
SEDGWICK, Eve. 1998. Epistemología del armario. Barcelona: Ediciones de la Tempestad.
STOCKTON, Kathryn Bond. 2009. The Queer Child, or Growing Sideways in the Twentieth Century. Durham & London: Duke University Press.
VALENTINE, David. 2007. Imagining Transgender: An Ethnography of a Category. Durham & London: Duke University Press.
[1] É uma figura de linguagem onde ocorre uma mudança de significado, seja interna (em nível do pensamento) ou externa (em nível da palavra).

OBS.: O texto foi apresentado no ST coordenado por Larissa Pelúcio e Berenice Bento no Seminário Internacional Fazendo Gênero 2010. Giancarlo Cornejo, sociólogo peruano, permitiu que publicássemos no Ponto Q sua reflexão-homenagem a Eve Kosofsky Sedgwick, criadora da Teoria Queer que morreu em abril de 2009. A tradução é de Larissa Pelúcio.



Disponível em http://www.ufscar.br/cis/2011/04/a-guerra-declarada-contra-o-menino-afeminado/. Acesso em 17 abr 2014.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O transexual e os reflexos jurídicos da cirurgia de redesignação do sexo

Alana Rissinger
Beatris Francisca Chemin
Revista Destaques Acadêmicos
vol. 5, n. 2, 2-13 - CCHJ/UNIVATES

Resumo: A cirurgia de redesignação sexual é uma realidade cada vez mais comum no Brasil, inclusive já constando como procedimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde. Assim, este artigo versa sobre os reflexos que a cirurgia de mudança de sexo provoca no campo jurídico, especialmente no que diz respeito à retificação do Registro Civil do transexual, à possibilidade de casamento e aos reflexos relacionados à filiação. Trata-se de pesquisa qualitativa, realizada por meio de método dedutivo e de procedimento técnico-bibliográfico e documental. Dessa forma, as reflexões partem de estudo sobre os elementos formadores do sexo e identifica as diferentes formas de manifestações sexuais. Depois, examina os reflexos jurídicos da cirurgia de redesignação sexual, no que diz respeito ao Registro Civil, ao casamento e à filiação. Nesse sentido, entende que a cirurgia de mudança de sexo deve ser compreendida como forma de solução do conflito transexual e as suas repercussões jurídicas, interpretadas conforme os princípios constitucionais e os direitos de personalidade. Dessa forma, o transexual operado deve ter direito à alteração de seu Registro Civil – com a retificação de seu nome e sexo – ao casamento e à constituição de família, inclusive com filhos, se o assunto for discutido sob ótica livre de preconceitos e baseado nos princípios fundamentais que regem a Constituição Federal.



terça-feira, 22 de abril de 2014

Pacientes que nasceram sem vagina ganham órgão feito com suas células

Reuters
11/04/2014 

Quatro jovens que nasceram sem vagina ou com vagina anormal receberam implantes de material cultivado em laboratório feito a partir de suas próprias células, no mais recente caso de sucesso para criação de órgãos de substituição, o que até agora inclui também traqueias, bexigas e uretras.

Testes de acompanhamento mostraram que as novas vaginas não se diferenciaram do próprio tecido das mulheres, e o tamanho dos órgãos aumentou à medida que as pacientes – que receberam os implantes na adolescência –  amadureceram.

Todas as jovens já são sexualmente ativas e relatam ter uma função vaginal normal. No momento das cirurgias, feitas entre junho de 2005 e outubro de 2008, elas tinham entre 13 e 18 anos de idade.

Duas das mulheres, que nasceram com útero funcional, mas sem vagina, agora também menstruam normalmente. Ainda não está claro se elas poderão ter filhos, mas o fato de estarem menstruando sugere que seus ovários estão funcionando direito – razão pela qual uma gravidez é possível, explicou o cirurgião urologista pediátrico Anthony Atala, diretor do Instituto de Medicina Regenerativa Wake Forest, na Carolina do Norte.

A façanha, que Atala e colegas mexicanos descrevem na revista britânica "The Lancet", é a mais recente demonstração do crescente campo da medicina regenerativa, uma disciplina em que se tira proveito do poder do corpo para regenerar e substituir células.

Em estudos anteriores, a equipe de Atala usou a técnica para fazer bexigas sobressalentes e tubos de urina ou uretra em meninos.

Segundo o médico, esse estudo-piloto é o primeiro a demonstrar que vaginas cultivadas em laboratório com as próprias células das pacientes podem ser usadas com sucesso em humanos, oferecendo uma nova opção para mulheres que precisam de cirurgias reconstrutivas.

Síndrome MRKH

Todas as participantes da pesquisa nasceram com a síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), uma condição genética rara em que a vagina e o útero são subdesenvolvidos ou ausentes. O tratamento convencional envolve o uso de enxertos feitos de tecido intestinal ou da pele, mas essas duas opções têm inconvenientes, segundo Atala. Isso porque o tecido intestinal produz excesso de muco, o que pode causar odores. Já a pele convencional pode arrebentar.

O médico esclareceu que mulheres com essa condição geralmente procuram tratamento durante a puberdade. "Elas não podem menstruar, especialmente quando têm um defeito grave, quando não têm uma abertura", afirmou. Isso pode causar dor abdominal, com a presença de sangue menstrual no abdômen.


Disponível em http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/04/pacientes-que-nasceram-sem-vagina-ganham-orgao-feito-com-suas-celulas.html?fb_action_ids=10201889848390950&fb_action_types=og.recommends. Acesso em 17 abr 2014.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Estudo comprova: empresas com mais mulheres se dão melhor

Olhar Digital
09/04/2014

Um levantamento com dados de vários estudos sobre a participação da mulher no ambiente corporativo trouxe à tona uma série de informações que revelam por que o "sexo frágil", na verdade, de frágil não tem nada.

Encabeçado pelo Instituto Anita Borg para Mulheres e Tecnologia, o levantamento intitulado "The Case for Investing in Women" fez uma varredura entre pesquisas acadêmicas de gênero, destacando o diferencial da mulher.

Entre outras coisas, o estudo revela a descoberta de um economista de Carnegie Mellon de que times com ao menos uma mulher possuem QI coletivo superior àqueles formados apenas por homens.

Quando companhias da Fortune 500 possuem o mínimo de três diretoras, vários fatores-chave são elevados: o retorno de capital investido salta para mais de 66%, o de vendas sobe 42%, o sobre patrimônio líquido é aumentado em 53%.

Companhias com equipes diversificadas têm rotatividade 22% mais baixa e, se há uma cultura mais inclusiva, que se atente para as mulheres, é mais fácil contratar gente diversificada. Em 2012, um estudo sobre a participação da mulher em patentes de tecnologia descobriu que os registros feitos por equipes formadas pelos dois gêneros são citados entre 30% e 40% mais vezes que as patentes semelhantes feitas por times só de homens.

Além disso, uma pesquisa feita em 17 países em diferentes indústrias revelou que ter um número maior de mulheres entre os líderes inspira segurança psicológica, confiança, experimentação de grupo e eficiência.

Estudo completo: http://anitaborg.org/wp-content/uploads/2014/03/The-Case-for-Investing-in-Women-314.pdf


Disponível em http://olhardigital.uol.com.br/pro/noticia/41327/41327. Acesso em 17 abr 2014.