terça-feira, 2 de setembro de 2014

Adolescentes problemáticos? Nem sempre...

Mente Cérebro
fevereiro de 2014

O cérebro adolescente se encaixa de maneira bastante conveniente no mito de que, nessa fase da vida, as pessoas são intrinsecamente incompetentes e irresponsáveis. O psicólogo G. Stanley Hall contribuiu para a disseminação dessa ideia com a publicação de seu livro em dois volumes Adolescência, em 1904. Hall foi enganado tanto pela crise de seus tempos quanto por uma teoria popular da biologia que mais tarde se provou equivocada.

Ele testemunhou uma revolução industrial e a imigração maciça que colocou centenas de milhares de jovens nas ruas de cidades americanas. O psicólogo acreditava na “recapitulação”, uma teoria da biologia segundo a qual o desenvolvimento individual (ontogenia) necessariamente imita o desenvolvimento da espécie (filogenia). Para Hall, a adolescência foi a reconstituição de uma fase “selvagem”, necessária e inevitável da evolução humana – embora na década de 30 a teoria da recapitulação passasse a ser reconsiderada e vista com ressalvas.

É fato que hoje adolescentes exibem alguns sinais de aflição. É fato que os jovens estão expostos a riscos – de depressão a comportamentos de risco (no contato com as drogas, tanto proibidas quanto liberadas, no trânsito e na vida sexual, por exemplo). Mas há algo intrínseco ao cérebro desses rapazes e garotas que de fato seja um risco para eles mesmos e para os outros? Podemos pensar que se esse fosse um “fenômeno universal do desenvolvimento” provavelmente haveria turbulência desse tipo em todo o mundo nessa fase da vida. E não é bem assim.

Em 1991, a antropóloga Alice Schlegel, da Universidade do Arizona, e o psicólogo Herbert Barry III, da Universidade de Pittsburgh, avaliaram pesquisas sobre adolescentes em 186 sociedades pré-industriais. Eles chegaram a várias conclusões interessantes. Uma delas foi que 60% dessas culturas não tinham em seus vocabulários a palavra “adolescência”. Outra constatação: jovens que passavam quase todo o seu tempo como adultos quase não apresentavam sinais de psicopatologia e comportamentos antissociais.

Ainda mais significativo: uma série de estudos de longo prazo iniciada na década de 80 pelos antropólogos Beatrice Whiting e John Whiting, da Universidade Harvard, sugere que problemas com adolescentes começaram a aparecer em outras culturas logo após a introdução de certas influências ocidentais, especialmente educação de estilo ocidental, programas de televisão e filmes. De forma consistente com essas observações, muitos historiadores notaram que durante a maior parte da história humana a adolescência foi um tempo relativamente pacífico de transição para a vida adulta. Os jovens não estavam tentando romper com adultos – a prioridade era aprender a se tornar adulto.


Disponível em http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/problematicos__nem_sempre___.html. Acesso em 29 jul 2014.

sábado, 30 de agosto de 2014

EUA estendem a transexuais lei da discriminação trabalhista

Associated France Presse
21/07/2014

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou nesta segunda-feira um decreto que fortalece a legislação de combate à discriminação trabalhista contra gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT), na pendência de uma lei nacional.

O decreto contempla os funcionários federais e milhões de trabalhadores de empresas subcontratadas do Estado federal.

"O governo federal já proíbe a discriminação trabalhista com base na orientação sexual", disse Obama durante uma cerimônia na Casa Branca. "Uma vez assinado este decreto, o mesmo será válido para a identidade de gênero", acrescentou.

Até agora, a cor da pele, origem, religião, sexo, deficiência, idade e orientação sexual eram categorias protegidas dentro das instituições federais. Este ato administrativo de Obama estende o direito aos funcionários transexuais.

O novo texto também proíbe empresas contratadas pelo Estado de discriminar qualquer pessoa em base em sua orientação sexual ou identidade de gênero no momento da contratação.

"Os contratos federais não devem favorecer a discriminação contra os americanos", declarou Obama.

A proibição aplica-se a praticamente todas as empresas que assinaram contratos com o governo federal em áreas diversas, como a educação ou defesa.

Devido à incapacidade do Congresso em aprovar uma lei de âmbito nacional, Obama decidiu agir administrativamente e assinar esse decreto, apesar de reconhecer o alcance limitado.


Disponível em http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/eua-estendem-a-transexuais-lei-da-discriminacao-trabalhista. Acesso em 31 jul 2014.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

FIXAÇÃO DE CONTEÚDO: Brasil deve descriminalizar cafetinagem, diz Nucci


Texto-Base (TB): LUCHETE, Felipe - Brasil deve descriminalizar cafetinagem, diz Nucci

Com base no texto acima, a fixação de conteúdo se dará com a feitura dos seguintes exercícios: 

Questionário (Quiz
O exercício é composto de perguntas e respostas de múltiplas escolhas e você 20 (vinte) minutos para completar a tarefa. Lembramos que a atividade mistura perguntas e respostas

Preenchimento Textual (Cloze)
O exercício é composto de lacunas na qual você precisa achar a palavra correta e você 20 (vinte) minutos para completar a tarefa.

Palavras Cruzadas (Cross) 
O exercício é composto de procura por palavra correta que se encaixa na quantidade de letras e use também de outras palavras, formando um mosaico, a partir das pistas dadas. Você 20 (vinte) minutos para completar a tarefa.

Criado e construído por Canalw Difusão do Conhecimento


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Morador de Niterói inspira projeto de lei que pode ajudar transexuais

Thalita Pessoa
12/11/2013 

Um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional pode dar fim a constrangimentos enfrentados por transgêneros e travestis. De autoria dos deputados federais Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Erika Kokay (PT-DF), a proposta, que visa a dar mecanismos jurídicos para o reconhecimento da identidade de gênero, recebeu o nome do primeiro transgênero homem do Brasil, João W. Nery, um morador de Niterói que nasceu com o nome de Joana.

Hoje com 63 anos, Nery vive no Bairro de Fátima, de onde acompanha os esforços pelo fim da classificação de transexualismo como patologia.

— Realizei minha transição da década de 70, em plena ditadura, quando era impensável ter qualquer respaldo jurídico que me garantisse o direito de tornar meu corpo compatível com meu gênero, que não está condicionado à minha genitália — diz Nery, que, para ter documentos que o reconhecessem como homem, fez, na época, um segundo registro civil.

Com o subterfúgio, Nery passou da condição de incompreendido à de criminoso, sob a acusação de falsidade ideológica.

— Ao fazer um novo registro, eu, um professor de Psicologia com diversas especializações, virei analfabeto. Fui pedreiro, pintor e massagista. Adotava qualquer profissão que dispensasse o diploma de ensino superior para poder ganhar a vida — conta.

Ele não foi à noite de autógrafos de seu primeiro livro devido ao risco de ser preso. Somente no lançamento de sua segunda obra, a autobiografia “Viagem solitária”, publicada pela editora Leya em 2011, teve tranquilidade para contar sua história. E, a partir daí, voltou a militar pela causa dos transgêneros.

O projeto de lei que homenageia Nery tem como objetivo permitir às pessoas a retificação de registros civis, possibilitando mudanças de nome, sexo e foto na documentação pessoal. Além disso, visa a regulamentar intervenções cirúrgicas e tratamentos com hormônios.

O reconhecimento da identidade de gênero independentemente de intervenções no corpo é outra meta da iniciativa.


Disponível em http://oglobo.globo.com/rio/bairros/morador-de-niteroi-inspira-projeto-de-lei-que-pode-ajudar-transexuais-10753280#ixzz2kRXM2Uok. Acesso 31 jul 2014.

sábado, 23 de agosto de 2014

“Nós queremos somar!!”: A emergência de transhomens no movimento trans brasileiro

Simone Avila; Miriam Pillar Grossi
VII Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero
Associação Brasileira de Estudos da Homocultura
07, 08, 09 de maio de 2014 - Universidade Federal do Rio Grande do Sul-RS

Resumo:Nunca fiz e nem faço parte de ONGs ou quaisquer grupos de militância LGBT. Você tem uma pessoa que se identifica como homem trans à frente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e só. É curioso como dentro da própria ‘sigla’, somos quase que uma margem à margem”. Este é um fragmento da fala de Toni, um dos interlocutores da nossa pesquisa sobre transmasculinidades brasileiras iniciada em 2010. Essa entrevista foi realizada em março de 2010, quando ele tinha 32 anos. Toni é carioca, branco, tem curso superior completo e é pertencente à classe média. Ele fez sua transição de gênero no início dos anos 2000 em um serviço de saúde de um hospital universitário do centro do país.