sábado, 17 de janeiro de 2015

Travestismo, transexualismo, transgêneros: identificação e imitação

Simona Argentieri
Jornal de Psicanálise, São Paulo, 42(77): 167-185, dez. 2009. 


Resumo: No decorrer de algumas décadas, tem havido uma dramática mudança, tanto psicológica quanto nos direitos civis, na convulsiva arena social e cultural em que os assim chamados “transexualismos” vivem, são definidos e se definem. Até a linguagem técnica mudou. No passado, diagnósticos de transexualismo e travestismo eram muito diferentes uns dos outros; enquanto falamos hoje de “disforia de gênero” ou usamos o termo abrangente “transgênero”, que muda o acento da pulsão sexual para a identidade de gênero. Em nosso trabalho clínico, os fenômenos do assim chamado “vestir-se como o outro sexo” infantil aumentaram, e há muito mais casos de perversões femininas – ou, ao menos, sua existência não é mais negada, ainda que possam ter nomes diferentes. Penso que a psicanálise deve se esforçar para recuperar seu espaço teórico e método específico de trabalho clínico, de modo a se afastar dos escândalos confusos da mídia, da sedução falsamente liberal e do conluio da reatribuição médico-cirúrgica de gênero sexual (atualmente permitida nas instituições públicas de muitos países) que, na verdade, remete o problema de volta ao nível biológico. Não podemos nos limitar a intervir, como acontece frequentemente, quando o dano já ocorreu.




sábado, 10 de janeiro de 2015

Ambulatório de Saúde Integral de Travestis e Transexuais do Estado de São Paulo: relatório de duas visitas (2010-2012)

Anibal Guimarães
Bagoas - n. 10 - 2013


Resumo: Tendo como base o Processo Transexualizador, este relatório reúne as observações de duas visitas ao Ambulatório de Saúde Integral de Travestis e Transexuais do Estado de São Paulo (ASITT). A primeira (2010) ocorreu um ano após a sua implantação, quando ainda se buscava conhecer melhor seu público-alvo e alguns modelos de atendimento eram testados; a segunda (2012), através de entrevistas, visou conhecer a autocrítica de gestores e profissionais para a sua prática clínica. À luz dos princípios da Bioética, foram observadas: atenção em saúde mental, prescrição da hormonioterapia e demais intervenções médico-cirúrgicas. Priorizaram-se as perspectivas de seus profissionais de saúde quanto à: (i) compreensão para as singularidades e especificidades de travestis e transexuais; e (ii) capacitação para valorar e diferenciar conceitualmente identidades de gênero percebidas como um desafio à lógica heteronormativa.




quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Discriminação por orientação sexual no ambiente de trabalho: uma questão de classe social? uma análise sob a ótica da pós-modernidade crítica e da queer theory

Hélio Arthur Reis Irigaray 
Enapg- Encontro de Administração Pública e Governança

Salvador-BA – 12 a 14 de novembro de 2008


Resumo: Ao contrário de outros estudos que estudaram diversidade da mão-de-obra focando apenas uma única vertente (raça, capacidade física ou orientação sexual), este, partindo da premissa que atitudes discriminatórias são causadas por múltiplas características, analisou o quanto a discriminação por orientação sexual no ambiente organizacional está imbricada com a classe social dos indivíduos discriminados. Ontologicamente, esta pesquisa baseou-se na pós-modernidade crítica; metodologicamente, recorreu à Queer Theory e à análise do discurso. Foi realizada uma pesquisa de campo numa empresa pública, onde foram entrevistados três empregados assumidamente homossexuais: um diretor, um gerente e um empregado do nível operacional, concluindo-se que o fato de uma empresa adotar políticas de diversidade não garante que, no cotidiano organizacional, não ocorram práticas discriminatórias; compartilhar da mesma orientação sexual não iguala nem promove um senso de identidade única entre os homossexuais; há, de fato, discriminação por orientação sexual e classe social; sendo que esta última, mostrou-se presente mesmo entre os homossexuais; os empregados de classe social superior barganham tolerância com seu estilo de vida; enquanto os gays, pertencentes às classes sociais mais baixas, sofrem de duplo estigma. 


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Do reconhecimento dos direitos dos transexuais como um dos direitos da personalidade

Valéria Silva Galdino Cardin; Fernanda Moreira Benvenuto
Revista Jurídica Cesumar - Mestrado, v. 13, n. 1, p. 113-130, jan./jun. 2013


Resumo: Nesta pesquisa analisa-se a transexualidade, que consiste em uma disforia de gênero. O transexual é caracterizado pelo desejo de readequar o seu sexo anatômico em conformidade com o seu sexo psicossocial. Os princípios da dignidade da pessoa humana, da autonomia da vontade, da igualdade e da liberdade é que fundamentam o livre exercício da identidade de gênero do indivíduo transexual que não se enquadra no padrão social heteronormativo e a readequação sexual deste, garantindo seu reconhecimento e sua inclusão na sociedade como meio de efetivação dos direitos e garantias individuais. Desta forma, os direitos da personalidade do transexual são infringidos quando da negativa da readequação sexual e da mudança do nome e da identidade sexual no registro civil. Conclui-se que a efetivação dos direitos da personalidade dos transexuais só ocorrerá quando houver uma regulamentação que venha tutelar as consequências da readequação sexual deles, permitindo, assim, um tratamento igualitário, vedando quaisquer
formas de discriminação e vitimização e um reconhecimento pelas instituições sociais.



sábado, 27 de dezembro de 2014

Cientistas fecundaram óvulos sem usar espermatozoides

BBC BRASIL
10 de julho, 2001


Cientistas na Austrália afirmam terem descoberto uma maneira de fecundar óvulos utilizando material genético que pode ser extraído de qualquer célula do corpo humano.

A técnica pode vir a ser utilizada para ajudar casais, com problemas de fertilidade, a terem filhos.

Teoricamente, a descoberta também poderá permitir que casais de lésbicas possam ter uma filha sem a necessidade do envolvimento de um homem na geração da criança. As mulheres não possuem os cromossomos necessários à geração de um menino.

Esta técnica de fertilização foi desenvolvida pela doutora Orly Lacham-Kaplan, da Universidade de Monash, da cidade de Melbourne.

Células somáticas

A doutora Orly disse que sua equipe conseguiu fertilizar os óvulos de ratos, em laboratório, utilizando outras células do corpo do animal conhecidas como células somáticas.

Até então isto não era possível porque os cientistas não sabiam como combinar as células somáticas, que contêm dois conjuntos de cromossomos, com as células dos espermatozóides que contêm apenas um.

A equipe de cientistas da Universidade de Monash utilizou componentes químicos para eliminar o segundo conjunto de cromossomos.

Para conseguir fazer a eliminação, os cientistas imitaram o processo natural de fecundação, que divide os dois conjuntos de cromossomos existentes num óvulo, eliminando um deles e liberando o remanescente para combinar com o conjunto único que é trazido pelo espermatozóide.

Gestação

Entretanto, a equipe da doutora Orly só vai ter certeza do sucesso da nova técnica quando os óvulos fecundados forem transferidos para o útero das fêmeas para a gestação.

"Temos que aguardar pelo menos seis meses para ver se os embriões vão sobreviver e se os bebês nascerão saudáveis", disse a doutora Orly Lacham-Kaplan.

A cientista disse que começou a estudar o assunto para ajudar os homens que não podiam gerar bebês porque não possuíam esperma ou células com potencial de serem transformadas em esperma.

A doutora Orly acrescentou que: "Teoricamente podemos usar as células somáticas de uma mulher para produzir o embrião. Portanto, esta técnica pode ajudar duas mulheres a terem seu próprio filho biológico."

Revolução

O doutor Robert Winston, especialista em fertilidade, disse que a nova técnica é realmente revolucionária e tem grande potencial: "A maravilha desta técnica é tornar a clonagem totalmente desnecessária. É uma técnica muito melhor e eticamente muito mais aceitável porque são utilizados cromossomos dos dois parceiros."

O doutor Winston disse que, teoricamente, a técnica permitiria inclusive que uma mulher tenha filhos reproduzidos a partir de seus próprios cromossomos. Entretanto, ele acrescenta que o uso de cromossomos da mesma pessoa pode aumentar enormemente a possibilidade de geração de crianças com defeitos genéticos.


Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2001/010710_fertilidade.shtml. Acesso em 27 dez 2014.