sábado, 20 de julho de 2013

Alemanha: autoridades apoiam tratamento forçado de jovem transexual

Transfofa
3 Abril 2012

Uma criança alemã que tem vivido como rapariga desde que iniciou o percurso escolar há meia dúzia de anos, está para ser internada no hospital Charité University, em Berlim - onde será “curada” da sua transexualidade ao ser encorajada a tomar “atitudes de rapaz”.

Isto segue-se à sentença ditada pelo Berlin Court of Appeal que sentencia que a jovem poderá ser separada da mãe, com quem vive actualmente, e forçada a internamento na ala psiquiátrica do hospital.

O tribunal concordou com a visão de uma enfermeira do Berlin Youth Office e de Klaus Beier, director da ala do hospital, que suportam que, apesar de viver como rapariga há anos, a sua transexualidade é somente induzida pela mãe.

A seguir ao tratamento no hospital, onde comportamentos que se coadunem mais com o sexo biológico da jovem serão encorajados, será então transferida para uma família de acolhimento.

Como o Portugalgay já tinha descrito em fevereiro (www.portugalgay.pt/news/Y030212A/alemanha:_crianca_transexual_de_11_anos_em_risco_de_ser_institucionalizada), a situação foi despoletada pela separação dos pais há algum tempo, e decisões chave sobre o seu desenvolvimento caíram sob a alçada do Berlin Youth Office.

Apesar do facto de já viver como rapariga desde a escola primária, o pai fez recentemente alegações junto ao Youth Office argumentando que a sua identificação como mulher é totalmente induzida pela mãe.

Esta visão foi corroborada por uma enfermeira do Youth Office e que levou à sua primeira institucionalização quando a jovem recusou que o seu género fosse questionado e por supostamente ter expressado que preferia morrer a crescer como rapaz.

Durante as audições, ela e a sua mãe, apoiadas pela sexóloga Hertha Richter-Appelt, de Hamburgo, requereram que um diagnóstico psiquiátrico fosse elaborado, o que foi rejeitado por ser um “antiquado ponto de vista”.

A decisão do tribunal foi violentamente criticada pelo advogado da rapariga, que considerou a decisão “apavorante”, acrescentando que em lado nenhum se encontra suporte de que a transexualidade possa ser “induzida”, acrescentando que “é uma invenção da enfermeira que só falou com a jovem uma vez durante uma hora, e cujas opiniões foram completamente ignoradas”.

O advogado e a família planeiam um recurso ao Federal Constitutional Court, que pode decidir rapidamente em matérias de custódia.

Este caso tem recebido atenção tanto localmente como internacionalmente. Uma marcha de uns 250 elementos do “Action Alliance Alex” teve lugar em frente ao Departamento do Senado de Berlim para a Juventude com o mote “Stop the forced institutionalisation of Alex” now!.

Um porta-voz do grupo afirmou que “Esta história não é única. Instituições como o Youth Office e o hospital têm usado a coerção e a pressão psicológica para imporem a sua visão! A raça e a identidade de género são direitos, não doenças.”

Durante esta acção, uma delegação foi recebida pelo secretário de estado responsável pelo Youth Department, parecendo reconhecer pela primeira vez a seriedade do assunto e, embora o departamento não possa interferir directamente nestas matérias no Berlin Youth Office, concordou em ser mediador neste caso. Espera-se agora uma reunião envolvendo todas as partes.

Uma petição também se encontra a recolher assinaturas em (www.change.org/petitions/mayor-of-berlin-stop-the-institutionalization-of-a-11-year-old-transexual) que já conta com mais de 25.000 assinaturas. Dirigida ao Mayor de Berlin, Klaus Wowereit, afirma que “A esta rapariga vai ser ensinado que o que sente é errado, e vai ser empurrada para a negação que já custou a vida de tantas pessoas trans, graças a decisões baseadas em preconceitos pelo Youth Welfare office, e a vida desta jovem poderá ficar irremediavelmente arruinada.”

Reuniões de pelo menos umas 15 diferentes organizações preocupadas com este caso acontecem de 15 em 15 dias, tendo acontecido a última a 1 de Abril no espaço do TransInterQueer de Berlim.


Disponível em http://portugalgay.pt/news/Y030412A/alemanha:_autoridades_apoiam_tratamento_forcado_de_jovem_transexual. Acesso em 09 jul 2013.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Eu sou o que eu visto

Forebrain
31/07/2012

Os aspectos sociais desempenham importante papel no processo de decisão de compra do consumidor e podem afetar fortemente a escolha de produtos e marcas. As pessoas tendem a se comportar de forma bastante semelhante aos outros membros do grupo social ao qual fazem parte, ou seja, costumam escutar as mesmas músicas que seus amigos, frequentar os mesmos bares e restaurantes e também vestir roupas e calçados semelhantes aos utilizados por seus amigos e familiares.

Uma pesquisa bastante interessante foi capaz de delinear a influência dos aspectos sociais capazes de moldar o comportamento humano. Pesquisadores da Northwestern University realizaram experiências em que diferentes grupos de pessoas tinham que vestir dois jalecos brancos idênticos. Para um grupo foi dito que o jaleco era o mesmo utilizado por médicos e para o segundo grupo foi dito que o jaleco pertencia a artistas, pintores. Os participantes, vestindo os jalecos, foram submetidos a uma série de tarefas cognitivas. Na maior parte dos casos, as pessoas que vestiram as peças que seriam dos médicos, apresentaram melhores resultados em testes de atenção e percepção visual de erros em relação às pessoas que vestiam os jalecos pertencentes a artistas/pintores. Os resultados do estudo sugerem que por ser atribuído aos médicos um comportamento mais cuidadoso, rigoroso e atento, os participantes foram capazes de adotar estas características, o que se refletiu em seu desempenho durante os testes, apenas por acreditarem estar vestindo o jaleco de um médico.

Estes achados nos remetem a uma questão social bastante importante, o “status”. Eles demonstram que quando colocamos uma roupa cara, de marca conhecida e de renome, como um terno ou um vestido de grife, por exemplo, nós estamos não só causando impressões nas pessoas a nossa volta, mas também estamos causando uma impressão em nós mesmos. Ao vestir uma roupa cara, somos capazes de nos sentir melhores, mais inteligentes e mais poderosos, o que irá refletir em nosso comportamento.

Desta forma é importante que as companhias levem em consideração no desenvolvimento do posicionamento de mercado os diferentes aspectos sociais que influenciam a decisão de compra do consumidor, que na maior parte das vezes é construída a partir de respostas inconscientes! As empresas ao desenvolverem suas estratégias de comunicação devem levar em consideração como seu posicionamento poderá atingir necessidades específicas de cada grupo social, construindo a partir daí o desejo de compra de seus produtos e serviços. O entendimento sobre o processo de tomada de decisão implícito do consumidor deve envolver a compreensão dos significados sociais e também culturais que os consumidores atribuem às marcas, produtos e serviços.


Disponível em http://www.forebrain.com.br/eu-sou-o-que-eu-visto/. Acesso em 09 jul 2013.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Lea T sobre mudança de sexo: "é delicado e mexe com a cabeça"

Na Telinha
28 de maio de 2012

Em entrevista à revista "Istoé Gente" desta semana, Lea T falou sobre a cirurgia de mudança de sexo que realizou na Tailândia. "Devo ficar mais um tempinho no Brasil. Vou conversar sobre a cirurgia na hora certa e quando eu me sentir preparada", disse.

Ela contou que pretende dar uma entrevista técnica sobre o assunto ao programa "Fantástico", da Globo: "É um assunto muito delicado e ainda estou me adaptando. Eu não posso sair incentivando ninguém a fazer essa cirurgia. Mexe muito com a cabeça. Tem que estar muito preparada. Minha família ajudou muito. Meu pai tem uma cabeça muito boa". A transexual é filha do ex-jogador de futebol Toninho Cerezo.

Lea T ainda afirmou que antes de fazer a cirurgia fez terapia como forma de preparação: "Ainda estou fazendo terapia. Fiz antes, durante e depois".


Disponível em http://natelinha.ne10.uol.com.br/celebridades/2012/05/28/lea-t-sobre-mudanca-de-sexo-e-delicado-e-mexe-com-a-cabeca-165311.php. Acesso em 09 jul 2013.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Atenção à saúde de pacientes com ambiguidade genital

Susane Vasconcelos Zanotti
Hélida Vieira da Silva Xavier
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Arquivos Brasileiros de Psicologia; Rio de Janeiro, 63 (2): 1-121, 2011

Resumo: A presente pesquisa buscou conhecer e compreender as ações envolvidas na atenção à saúde de pacientes com ambiguidade genital em um Hospital Geral do Nordeste. A metodologia consistiu em levantamento de dados nos prontuários para identificar os casos de ambiguidade genital atendidos no período de 2003 a 2007 e entrevistas com profissionais da área de saúde. A chegada ao hospital de um sujeito com genitália ambígua fomenta questões delicadas pertinentes ao diagnóstico e tratamento à problemática. Este último esbarra em limitações relacionadas à infraestrutura do hospital. Somado a isso, as dificuldades geradas pela dinâmica hospitalar restringe a conduta dos profissionais de saúde envolvidos na atenção à saúde de pacientes com ambiguidade genital.


terça-feira, 16 de julho de 2013

Sutiã: usar ou não usar?

Magali Lagrange
30 de maio, 2013

Há 15 anos que o médico Jean-Denis Rouillon estuda os efeitos do uso do sutiã nas mulheres. Para isso, Rouillon, que também é professor de medicina esportiva da Universidade Franche-Comte, na França, vem observando - e cuidadosamente medindo - o busto de dezenas de voluntárias.

Algumas mulheres aceitaram viver suas vidas, e até mesmo praticar esportes, sem usar sutiã. Outras deixaram de usar apenas em algumas situações. O objetivo da pesquisa era ver se os seios ficam mais ou menos caídos sem o suporte do sutiã.

De acordo com os resultados preliminares, o médico constatou que, pelo menos entre as mulheres de 18 a 35 anos que participaram do estudo, o mamilo volta a subir a uma média de sete milímetros por ano quando não se usa sutiã. Os seios, diz ele, se fortalecem.

"As voluntárias são estudantes de fisioterapia, ou esportistas, e muitas vezes são mulheres que querem voltar a uma vida mais natural, sem artifícios", explicou Rouillon a BBC.

O estudo

Laurette tem 31 anos, e há dez anos participa da pesquisa. "Rouillon foi um dos meus professores na faculdade. Ele me convidou para participar da pesquisa e eu achei interessante", disse à BBC.

A medida do busto de Laurette é 34B, e ela não usa sutiã. "Não foi difícil mudar meus hábitos. Antes, quando eu estava em casa, raramente usava sutiã. Agora só uso ocasionalmente, com alguns vestidos para sair à noite, mas apenas por uma questão estética", diz Laurette.

Laurette é treinadora e pratica triatlo. "Quando eu trabalho, uso um sutiã esportivo sem aros. Mas quando eu corro, por exemplo, uso apenas uma blusa e não sinto qualquer tipo de desconforto", ela diz.

Desde o início, Laurette se sente confiante, porque nunca experimentou dor nos peitos quando se movimentava. Ela lembra que tudo a seu redor aconselhava a não praticar esportes sem sutiã, no entanto, ela continuou fiel ao projeto de Rouillon.

Segundo ela, os únicos inconvenientes são os olhares e os comentários de outros, mas ela prefere não notá-los. Um algumas ocasiões, entretanto, ela prefere usar um sutiã sem aros para evitar constrangimentos.

Resultados preliminares

Apesar dos primeiros resultados, Rouillon não quer tirar conclusões definitivas, uma vez que o grupo de mulheres estudadas não representa a população francesa.

Ele conta que estes são apenas resultados preliminares, e que ele continua sua pesquisa com mulheres mais velhas.

O cirurgião plástico Jean Masson, baseado em Paris, concorda com essas precauções. "As mulheres que participaram da pesquisa são jovens, elas não têm seios muito grandes," explica Masson.

"Para essas mulheres, pode não ser necessário o uso de um sutiã. No entanto, as coisas podem ser diferentes para aquelas com mais de 30 anos que ainda não tiveram filhos", diz Masson.

O cirurgião explica que, durante a gravidez, os seios ganham volume, o que afeta a elasticidade da pele da mama. E menos elasticidade significa que as glândulas mamárias podem se deslocar para baixo.

Mas então o que é melhor, usar ou não usar sutiã? Para se ter uma resposta clara e científica, vamos ter que esperar mais um pouco.

"Apesar de não ter a resposta no momento, é um problema que vale a pena ser levantado", conclui Rouillon, que afirma que nenhum estudo científico comprovou a eficácia do sutiã para manter os seios em pé.

Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130530_sutia_necessario_an.shtml. Acesso em 09 jul 2013.