sábado, 24 de agosto de 2013

Palestina muda de sexo em Gaza

BBC BRASIL
9 de setembro, 2009

Por quinze anos, Fátima Abed Rabbo viveu como uma menina na cidade de Jabalya, mas no início da adolescência ela começou a se sentir mais como um menino.

A família fez testes e descobriu que Fátima tinha altos níveis de testosterona e precisava de uma operação de mudança de sexo.

"Um médico aqui da Faixa de Gaza queria cobrar US$ 3 mil por cada uma de três operações, mas nós não tínhamos o dinheiro, então decidimos fazer tudo no exterior. Quando estávamos organizando a viagem, havia uma equipe médica espanhola especializada em urologia em visita ao território. Então fomos até o hospital de Al-Awda e nos encontramos com os médicos", disse o pai de Odai, Majd Abed Rabbo.

"O médico o internou apenas dois dias antes de voltar a seu país. Ele fez uma só cirurgia em vez de três."

Agora, Fátima é Odai. E ele não é o único transexual da família. Uma prima dele, Ola, hoje se transformou em Nader.

Sociedade conservadora

Apesar de ser uma decisão difícil numa sociedade conservadora como a palestina, a família acha que esta foi a coisa certa a se fazer.

"Eu me sinto muito mais confortável agora, como se tivesse nascido de novo. Me sinto livre. De qualquer maneira, eu prefiro ser homem, porque esta sociedade privilegia os homens em relação às mulheres. As mulheres em nossa sociedade não são respeitadas e suas ideias tampouco", diz Odai.

Ele vai continuar a receber injeções de testosterona pelos próximos 8 meses e deve passar por mais uma cirurgia. Odai planeja agora estudar jornalismo e se dedicar a defender os direitos das mulheres palestinas.


Disponível em <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090909_transexualgaza_is.shtml>. Acesso em 14 dez 2009.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A devassa das fronteiras da intimidade

Yves de La Taille

Enquanto no mundo acontecem coisas diversas, das mais belas e das mais trágicas, uma ou duas dezenas de pessoas se entregam a uma atividade no mínimo estranha: permanecer trancafiadas numa casa, sem contato com o resto do planeta, mas sob a vigilância ininterrupta de várias câmeras de televisão que transmitem ao vivo tudo o que fazem e dizem a milhões de pessoas que também se entregam ao passatempo não menos estranho de assistirem cotidianamente a essa extravagante convivência. E estou, é claro, falando da versão brasileira dos reality shows, como o famoso Big Brother Brasil (BBB), que em 2011 recebe sua 11ª edição.

Um dos atributos essenciais de um ser humano livre é justamente o de ter controle do acesso de outros a áreas de sua pessoa

Esse programa televisivo pode ser analisado e criticado por vários aspectos, a começar pelo próprio nome retirado do célebre e sério romance de George Orwell, 1984: é triste verificar que um nome criado para alertar sobre perigos totalitários seja reduzido a mero título de uma "diversão" de gosto duvidoso. Pode-se também associar o BBB ao erotismo sem sensualidade que tem invadido a nossa cultura. E, entre outros aspectos, podemos simplesmente pensar, com Fernando Veríssimo, que "chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência".

Porém, há outro "atentado", comum em nossas vidas, que programas como BBB e similares colocam em primeiro plano: o atentado à privacidade.

Define-se privacidade como "controle seletivo do acesso ao eu". Ou seja, a privacidade equivale a selecionar quais aspectos, corporais ou mentais, da pessoa serão revelados, ou não, a terceiros. Por exemplo, usamos roupas para que pessoas não possam ver partes de nosso corpo, mas, perante algumas, aceitamos ficar nus. Outro exemplo: há pensamentos e sentimentos que escondemos de alguns, mas que confiamos a outros.

Isto posto, um dos atributos essenciais de um ser humano livre é justamente o de ter controle do acesso de outros a áreas de sua pessoa. É por essa razão que Orwell criou o terrível Big Brother como símbolo de um estado totalitário que chega a privar os seus membros do último reduto de sua liberdade: o controle sobre a sua intimidade.

Ficaria ele espantado em saber que pessoas resolvem livremente colocar-se em situação semelhante à do pesadelo descrito no seu romance? É provável que sim, uma vez que ele viveu no começo do século XX e, logo, não presenciou alguns fatos posteriores que tenderiam paulatinamente a "naturalizar" a constante exibição de si mesmo e o decorrente abandono do controle da privacidade. E escreveu Paulo José da Costa Junior, da área de Direito, em seu livro O direito de estar só: "processo de corrosão das fronteiras da intimidade, o devassamento da vida privada, tornou-se mais agudo e inquietante com o advento das novas tecnologias."¹ O livro foi publicado em 1970 e de lá para cá tal devassamento somente tem aumentado: câmeras em todos os cantos; controles minuciosos em entradas de prédios e condomínios; scanners cada vez mais sofisticados, que literalmente despem as pessoas nos aeroportos; exames de DNA; celulares que nos tornam acháveis a qualquer hora e que nos filmam à nossa revelia; enquetes sobre nossos gostos pessoais, em processos de seleção em empresas, etc. O lema atual é essa cínica frase: Sorria, você está sendo filmado.

E o mais inquietante é que muitas pessoas sorriem mesmo! E isto porque não raras são aquelas que associam a exibição de si mesmas ao usufruto de uma "vida boa". Porém, é ledo engano pensar que tal abandono, forçado ou voluntário, das fronteiras da intimidade é benéfico para as pessoas e para a sociedade na qual vivem. Do ponto de vista do equilíbrio psicológico, é verdadeiro o alerta de Grinover: "Se cada um de nós tivesse de viver sempre sob as luzes da publicidade, acabaríamos todos perdendo as mais genuínas características de nossa personalidade."² A autora dessa frase é da área de Direito, mas encontra respaldo na Psicologia. Em minhas pesquisas, por exemplo, verifiquei que não somente a capacidade de ter segredos é precoce (por volta dos 4 anos de idade) como corresponde a uma necessidade das crianças para protegerem a construção de suas identidades³. Ora, para os adultos, vale o mesmo. A Nouvelle Revue de Psychanalyse publicou em 1976 todo um número dedicado ao tema do falar de si, à sua importância para os seres humanos e aos limites que devem ser respeitados. Nele, Piera Castoriadis-Aulagnier chega a defender o "direito ao segredo" .

Mas não é somente do ponto de vista pessoal que a falta de fronteiras da intimidade causa prejuízos. Em seu clássico livro sobre as tiranias da intimidade, Richard Sennett observa que, hoje, as pessoas acreditam que não devem se relacionar desempenhando papéis sociais, mas sim sendo "espontâneas", revelando tudo o que pensam e sentem. Ora, para ele "mais as pessoas são íntimas, mais as suas relações se tornam dolorosas, fratricidas e antissociais. " Não terá ele razão?

Então, embora não o saibam e nem o queiram saber, são de certa forma felizardos aqueles eliminados o mais cedo possível no paredão da todo-poderosa opinião pública...

Referências 
1. Costa Junior,P.,J.(1970).O direito de estar só. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais
2. Grinover, A. P. (1976). Liberdades públicas. São Paulo: Saraiva.
3. La Taille, Y. de (1996). A gênese da noção de segredo na criança. Psicologia: Teoria e Pesquisa, vol. 12, n. 3 pp. 245-251.
4. Castoriadis- Aulagnier, P. (1976). Le doit au secret. Nouvelle Revue de Psychanalyse, n. 14, pp. 141-158.
5. Sennett, R. (1979). Les tyrannies de l'intimité. Paris: Seuil.


Disponível em http://portalcienciaevida.uol.com.br/esps/Edicoes/64/artigo213106-1.asp. Acesso em 15 ago 2013.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Mulher é demitida nos EUA por ser "muito atraente"

Reuters
27/12/2012

A Suprema Corte do Estado de Iowa, nos Estados Unidos, decidiu que os empregadores do local podem, legalmente, demitir funcionários que eles considerem muito atraentes.

Em uma decisão unânime, o tribunal indicou que um dentista não violou as leis do Estado ao demitir uma assistente que a mulher dele considerava ser uma ameaça ao seu casamento.

A assistente, Melissa Nelson, trabalhou para o dentista James Knight por mais de dez anos e nunca tinha flertado com ele, de acordo com os testemunhos de ambas as partes.

Mas, no julgamento, Knight disse que tinha reclamado diversas vezes que as roupas da funcionária, classificada no processo como "irresistível", eram muito apertadas e "reveladoras".

Em 2009, ele começou a trocar mensagens SMS com Nelson. A maior parte dos torpedos era relacionada ao trabalho, mas alguns eram sugestivos --em um deles, de acordo com os dados do processo, o chefe perguntou à assistente com que frequência ela tinha orgasmos. Ela não respondeu a mensagem.

No fim daquele ano, a mulher do dentista descobriu os torpedos e mandou o marido demitir a funcionária, em razão de ela ser "uma grande ameaça ao casamento" dos dois.

No começo de 2010, Nelson foi demitida e entrou com um processo contra o chefe, dizendo que não havia feito nada de errado, que considerava Knight uma figura paterna e que havia sido mandada embora apenas por ser mulher.

O dentista argumentou que a assistente não havia sido demitida por ser mulher, já que todas as funcionárias de sua clínica são do sexo feminino, mas sim porque o relacionamento entre os dois colocava seu casamento em risco.

Os sete juízes da corte de Iowa, todos homens, decidiram que chefes podem demitir funcionários "muito atraentes" e que a medida não representa discriminação.


Disponível em http://classificados.folha.uol.com.br/empregos/1206703-mulher-e-demitida-nos-eua-por-ser-muito-atraente.shtml. Acesso em 15 ago 2013.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Transexualidade, segundo o Wikipedia

Wikipedia

Resumo: Transexualidade é a condição considerada pela OMS como um tipo de transtorno de identidade de gênero, mas pode ser considerada apenas um extremo do espectro de transtorno de identidade de gênero. Refere-se à condição do indivíduo que possui uma identidade de gênero diferente da designada ao nascimento, tendo o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto. Usualmente, os homens e as mulheres transexuais apresentam uma sensação de desconforto ou impropriedade de seu próprio sexo anatômico e desejam fazer uma transição de seu sexo de nascimento para o sexo oposto (sexo-alvo) com alguma ajuda médica (terapia de reatribuição de gênero) para seu corpo. A explicação estereotipada é de "uma mulher presa em um corpo masculino" ou vice-versa, ainda que muitos membros da comunidade transexual, assim como pessoas de fora da comunidade, rejeitem esta formulação.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

'São agressões que deixam traumas', diz transexual vítima de homofobia

G1 
17/03/2012

Os casos de discriminação contra homossexuais são cada vez mais comuns. Em 2011, São Carlos, no interior de São Paulo, foram registradas 26 casos de pessoas que foram vítimas de agressão verbal e física. Não há uma lei federal para combater esse tipo de crime. No estado, o que existem são punições mais brandas, como multas.

Uma transexual, que não quis se identificar, disse que desde criança sofre com sua opção sexual. Ela contou que já sofreu várias agressões na escola e, hoje em dia, vive com medo. “De a pessoa te empurrar, querer jogar objetos em você, te dar soco. São agressões que as pessoas acham que não te machucam, mas machucam e deixam traumas”, disse.

A advogada Carla Tavares Collaneri disse que uma lei nacional seria um importante instrumento de conscientização. “Hoje no âmbito nacional, nós não temos ainda uma lei criminalizando a homofobia, o que nós temos é um projeto de lei complementar. E, no estado de São Paulo, nós temos uma lei prevendo algumas punições como pena de multa, advertência, mas não criminalizando a conduta homofóbica”, explicou.

Parada LGBT

Transformar a discriminação contra homossexuais em crime é hoje a principal bandeira levantada pela ONG Visibilidade LGBT. Por isso, o tema da 4ª Parada do Orgulho LGBT(Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de São Carlos será “Contra a discriminação e impunidade, homofobia também é crime”.

O evento ocorrerá neste domingo (18), a partir das 14h, saindo da Avenida São Carlos, próximo ao Terminal Rodoviário, e seguindo até a Praça do Mercado. As apresentações e shows começam às 17h.

Phamela Godoy, presidente da ONG Visibilidade LGBT, acredita que a Parada é um evento já aceito pela população sãocarlense. “A população de São Carlos quer mais cidadania para todos os habitantes da cidade, inclusive os LGBTs”.


Disponível em http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2012/03/sao-agressoes-que-deixam-traumas-diz-transexual-vitima-de-homofobia.html. Acesso em 15 ago 2013.