sábado, 9 de agosto de 2014

Algumas contribuições da filosofia e sociologia na compreensão do envelhecimento e velhice de travestis

Pedro Paulo Sammarco Antunes;
Elisabeth Frohlich Mercadante
Revista Portal de Divulgação, n.11, Jun. 2011 - 

Resumo: Este estudo trata do envelhecimento de travestis. Justifica-se, igualmente, pela relevância social do tema, chamando a atenção sobre o processo de envelhecimento para a comunidade científica, a sociedade em geral e o próprio grupo de travestis em particular. A existência da travesti é precária desde a adolescência. Elas já são consideradas anormais e, portanto sem lugar. Muitas saem ou são expulsas de casa, por causa do intenso preconceito familiar e também da vizinhança. Assim, buscam habitar espaços onde serão aceitas. A maioria encontra na prostituição acolhimento afetivo, de moradia e funcionalidade mínima para sobreviver. Passam a vida em contextos violentos. Habitam o mundo de forma improvisada e frágil. Essa pesquisa detectou que é preciso haver políticas públicas que as amparem desde a infância. As travestis idosas são consideradas abjetas mesmo antes do seu processo de transformação. Atravessam a vida como abjetas. As que atingem a velhice são verdadeiras sobreviventes. Conhecer suas trajetórias de vida possibilita identificar quais são os pontos mais críticos onde não há qualquer tipo de amparo existencial.



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Delegado de Goiânia muda de sexo e deve assumir a Delegacia da Mulher

Rafael Mesquita 
Quinta, 23/01/2014

O ex-delegado de Trindade e Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, Thiago de Castro Teixeira foi submetido a uma cirurgia para mudança de sexo e, com autorização da Justiça, mudou nome e registro civil para Laura.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a instituição não irá se pronunciar sobre o caso, já que trata-se de uma questão pessoal da agora delegada Laura e não altera administrativamente a polícia. Ainda de acordo com a direção da instituição, a delegada está de licença e quando retornar será lotada em outra delegacia.

Existe a possibilidade de ela assumir a Delegacia da Mulher de Goiânia, o que ainda não está confirmado pela direção da Polícia Civil. Segundo a advogada especialista em direito homoafetivo e presidente da Comissão de Direito Homoafetivo da OAB-GO, Cíntia Barcelos, com a mudança de sexo, a situação jurídica de Laura não se altera e, por isso, ela poderá continuar com o cargo na Polícia Civil.

Ainda segundo a advogada Cíntia Barcelos, o que deve mudar é o comportamento da sociedade em relação ao assunto. A presidente da Comissão de Direito Homoafetivo da OAB-GO ainda acredita que o caso poderá servir de exemplo para outras pessoas que têm o mesmo desejo, mas muitas vezes preferem não mudar de sexo por convenções sociais.

Disponível em http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/pais/2014/01/23/DELEGADO-DE-GOIANIA-MUDA-DE-SEXO-E-DEVE-ASSUMIR-A-DELEGACIA-DA-MULHER.htm. Acesso em 29 jul 2014.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Direitos humanos e diversidade sexual: o reconhecimento da identidade de gênero através do nome social

Edna Raquel Hogemann
Rev. SJRJ, Rio de Janeiro, v. 21, n. 39, abr. 2014

Resumo: O reconhecer como homem ou mulher não necessariamente corresponde ao sexo biológico: travestis e transexuais, por exemplo, representam identidades que fogem aos padrões estabelecidos pela sociedade. O presente ensaio tem por objeto uma análise reflexiva acerca da importância da proteção do direito ao nome, consubstanciado não somente na inscrição do registro de nascimento junto ao cartório de registro civil, mas principalmente na liberdade da autonomia do transexual em exercer tal direito em consonância com sua opção de gênero. Introduz a problemática do nome social, sendo um nome diverso do que consta no registro de nascimento original, mas expõe a forma de escolha pessoal em autodenominar-se com uma realidade objetiva e que envolve direitos fundamentais. Culmina por apontar a necessidade de superar os obstáculos morais que impedem as mudanças necessárias na legislação específica brasileira, a exemplo de outros países, como tarefa primordial para a concretização do princípio da igualdade e para o resgate do direito à identidade pessoal e da dignidade humana no Estado Democrático de Direito.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Reposição com esteroides sexuais em ambos os sexos

Elaine Maria Frade Costa
Chefe da Unidade de Endocrinologia do Desenvolvimento
Divisão de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Resumo: A terapia de reposição com esteroides sexuais tem como principal objetivo, substituir a secreção endógena inadequada de hormônios sexuais. A indicação clássica da reposição de hormônios sexuais é o hipogonadismo hipo ou hipergonadotrófico em ambos os sexos, no entanto, outras indicações não convencionais estão sendo discutidas na literatura atual. Como é o caso do uso de andrógenos na mulher menopausada ou no tratamento de indivíduos transexuais.

sábado, 10 de maio de 2014

'Minha conquista serve de exemplo', diz primeira travesti doutora do Brasil

G1 
20/08/2012

A professora Luma Andrade, 35 anos, que se tornou a primeira travesti com doutorado do Brasil na sexta-feira (17), diz que sua carreira acadêmica vai servir de exemplo para que outros travestis busquem na educação uma forma de vencer o preconceito. "Nós vivemos numa posição que a sociedade nos impõe, à margem de tudo. E temos que quebrar esse paradigma e viver no centro da sociedade, a educação é uma das formas que temos para conseguir", diz a professora.

Luma defendeu o estudo elaborado em três cidades do Ceará "Travestis na Escola: Asujeitamento e Resistência à Ordem Normativa", na sexta-feira, na Universidade Federal do Ceará (UFC), e foi aprovada. O doutorado foi, segundo ela, uma "missão cumprida". Agora ela pretende seguir carreira política e obter um pós-doutorado.

Ela conta que já convenceu uma estudante travesti a manter-se na escola. "As pessoas não acreditam que uma travesti pode conseguir a vida com a educação. A estudante me perguntava: 'E é possível uma travesti estudar e ser uma doutora?'. E eu expliquei a ela que sou exemplo de que pode sim", diz Luma.

Além do pós-doutorado, ela tem como objetivo ser professora de uma escola federal no Ceará. Luma fez concurso público em 2010, quando ainda tinha no documento de identidade o nome de João Filho Nogueira de Andrade. Ela foi reprovada pela banca e recorreu do resultado, alegando ser vítima de preconceito. "Cerca de duas horas eles avaliaram o exame de várias pessoas, não há como isso ser feito, foi o que eu afirmei na justiça". Luma venceu em primeira instância, e a Universidade Regional do Cariri recorreu da decisão.

Ela sempre trabalhou como professora e atualmente acumula cargo na Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação na região cearense do Vale do Jaguaribe, que tem sede em Russas, no interior do estado. Quando começou a lecionar, Luma diz que sofreu resistência, da diretoria da escola, de alunos e de pais dos alunos.

"Como eu era a única da região que tinha formação para lecionar algumas disciplinas, eu fiquei como professora, mas o início foi bem difícil. Depois de inserir naquele meio, entendendo a sala de aula, passei a uma das professoras mais queridas da escola", conta.

Luma Andrade é filha de agricultores analfabetos, nasceu na cidade de Morada Nova, a 163 quilômetros de Fortaleza, e, no dia da mulher de 2010, ganhou o direito de mudar o nome nos documentos sem a operação de mudança de sexo.


Disponível em http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/08/minha-conquista-serve-de-exemplo-diz-1-travesti-doutora-do-brasil.html. Acesso em 10 mai 2014.