quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Fora do sujeito e fora do lugar: reflexões sobre performatividade a partir de uma etnografia entre travestis

Richard Miskolci; Larissa Pelúcio
Gênero - Niterói, v. 7, n. 2, p. 255-267, 1. sem. 2007

Resumo: O artigo discute a recepção brasileira da teórica queer Judith Butler, com especial atenção ao seu conceito de performatividade. A partir de uma análise do caráter metafórico de suas exemplificações sucessivas nas obras de Butler e de sua adaptação à nossa realidade sócio-histórica, intentamos um exercício de aplicação do conceito de forma coerente com seu caráter normativo e programático original. Assim, utilizamos uma etnografia entre travestis como meio exemplificador do caráter reiterativo de normas sociais do conceito de performatividade.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Alegria e felicidade: sinônimos ou complementares?

Eduardo Shinyashiki

Já se deu conta de que, na maior parte do tempo, estamos tomando decisões para escolher entre os caminhos que nos fazem satisfazer uma preferência e aqueles que dão conta de nossas necessidades? Indo mais além, será que você ainda é capaz de separar essas duas dimensões da sua vida ou a percepção sobre o que de fato é necessário para sua existência já está "desligada"? Essas duas questões podem parecer muito específicas, mas estão ligadas diretamente aos conceitos de alegria e felicidade.

Quando optamos por adquirir o último modelo de celular do mercado ou passar as férias na praia mais badalada do momento, por exemplo, nosso pensamento está focado em atender às preferências. Podemos viver sem uma coisa ou outra, mas temos a nítida sensação de que a ausência desses momentos irá tornar os dias mais tristes. Em outras palavras, estamos em busca do que pode trazer sensações prazerosas, mesmo que a um preço alto, seja do ponto de vista do esforço empregado no trabalho para gerar o montante de dinheiro necessário para a consumação do desejo bem como dos sacrifícios emocionais exigidos.

Tendo como referência a realidade do ambiente de trabalho, essa situação fica bem clara quando temos a chance de conhecer profissionais que estendem sua jornada diária até altas horas não por estarem em busca de um objetivo ligado à carreira, mas, sim, da aquisição de um bem material. Por estarem de olho apenas no final do caminho, deixam de prestar atenção em sua saúde, na qualidade dos relacionamentos afetivos e, quando percebem, muitas coisas mudaram sem que tivessem se dado conta.

A felicidade nasce de outra forma: é um conjunto formado pelas necessidades, físicas e mentais, e nossas realizações. Assim, ter momentos de diversão com os amigos é tão importante quanto tomar água durante o dia, ainda que por motivos claramente diferentes. E por mais simples que essa afirmação pareça, há muitas pessoas deixando suas necessidades de lado em busca de sonhos que são entendidos como prioritários. Pense: quantas vezes já não viu um colega do trabalho deixar de ir ao banheiro ou de comer para finalizar uma apresentação atrasada? Veja bem, não estamos falando de ter uma vida regrada e limitada ao "arroz com feijão", mas em uma filosofia de vida que nos faz questionar-se a todos os instantes se algo é realmente necessário para sua satisfação.

Cada indivíduo tem uma gama única de necessidades, o que dificulta comparações entre o que é necessário para mim e para você. Por isso, é importante investir no autoconhecimento, que trará as respostas certas nos momentos em que tiver que fazer uma escolha. Contrariando o que grande parte da população pensa, a felicidade não é um estado de espírito que dura por muito tempo. Já que estamos em constante transformação, nossas necessidades também se alteram com o desenrolar dos dias. Assim, devemos estar com todos os radares ligados para identificar essas alterações e, mais uma vez, lançar-se à missão incansável de saná-las.

Quando optamos por adquirir o último modelo de celular do mercado ou passar as férias na praia mais badalada do momento, por exemplo, nosso pensamento está focado em atender às preferências

Quebrando com uma tradição de nossa sociedade, devemos deixar de escolher entre uma ou outra se quisermos chegar à vida plena. Somente quando temos bastante claro quais são nossas preferências e necessidades é que teremos condições de criar estratégias para concretizá-las de maneira simultânea e responsável.

O filme Click, estrelado por Adam Sandler, traz à tona como podemos nos perder quando buscamos satisfazer apenas nossas preferências. Ao decidir avançar o tempo e deixar as preocupações e atividades da rotina de lado em prol das sucessivas promoções, o personagem principal também abre mão daquilo que lhe era necessário. Afinal, não podemos deixar de dividir nossos momentos com pessoas que amamos ou passar uma parte do dia sem pensar em produtividade. A plenitude não está onde se quer chegar, mas como iremos percorrer nossos caminhos.

Disponível em http://portalcienciaevida.uol.com.br/esps/Edicoes/71/artigo241571-1.asp. Acesso em 25 ago 2013.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

1% da população não tem nenhum desejo sexual

Destak Jornal
26 de Agosto de 2012

Um por cento da população não sente nenhuma espécie de atração sexual. A afirmação é de Anthony Bogaert, pesquisador e professor associdado da Brock University do Canadá, que chegou à conclusão após analisar as respostas que 18 mil britânicos deram sobre a vida sexual em estudo realizado na década de 1990.

No levantamento, parte dos entrevistados afirmou que nunca havia se sentido sexualmente atraído nem por pessoas do sexo oposto nem por pessoas do mesmo sexo.

A pesquisa virou "Entendendo a Assexualidade", livro que será lançado em setembro. Em entrevista ao jornal americano "Daily News", Bogaert explicou que há duas formas de assexualidade. Existem as pessoas que possuem um certo nível de desejo sexual, mas não o colocam em prática com outras pessoas e apenas se satisfazem sozinhas por meio da masturbação, e há também o grupo que não possui nenhum tipo de desejo sexual.

A obra também defende que os assexuados devem ser classificados na categoria "quarta sexualidade", levando em conta que já existem os héteros, os homossexuais e os bissexuais. Para Bogaert, que enxerga na falta de desejo sexual uma possível reação a uma excessiva promoção do sexo nas sociedades modernas, os assexuados sempre existiram, mas só agora resolveram "sair do armário".


Disponível em http://www.destakjornal.com.br/noticias/saude/1-da-populacao-nao-tem-nenhum-desejo-sexual-157341/. Acesso em 25 ago 2013.

domingo, 1 de setembro de 2013

Executivo inglês mata noiva sufocada após descobrir que ela era transexual

R7
27/09/2012

Um executivo britânico matou sua noiva, uma bela russa, após descobrir que ela era transexual.

Chris Collier, de 40 anos, agrediu a noiva Julia, de 35 anos, antes de sufocá-la até a morte no apartamento do casal, em Kusadasi, na Turquia. Segundo o jornal britânico Daily Mail, Collier foi julgado em uma corte turca e condenado a 24 anos de prisão.

Após a morte de Julia, policiais investigaram o relacionamento do casal e afirmaram que Collier teria “comprado a noiva pela internet e que ela teria passado por uma cirurgia de mudança de sexo”.

Uma das postagens de Collier em um site dedicado a britânicos vivendo em outros países diz: “Eu paguei pela minha mulher e depois mudei para Kusadasi, no meu apartamento alugado.” A postagem ainda dizia que a mulher “costumava ser um homem”.

Durante o julgamento, o tribunal ouviu como Collier tinha atingido a cabeça da mulher com um objeto e a sufocado.

Após a prisão de Collier ser decretada, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Inglaterra afirmou que as autoridades “vão continuar dando a assistência consular a Collier e sua família no Reino Unido”.

Um dos amigos do acusado, que não foi identificado, afirmou que Collier havia ido para a Turquia cerca de dez anos atrás, “para recomeçar a vida”.

Collier foi, na década de 90, uma figura importante do império Phones4U, uma das maiores redes de venda de telefones celulares no Reino Unido.

Na Turquia, o inglês trabalhava em uma agência imobiliária e Julia era cantora do bar de um hotel, onde o casal teria se conhecido.


Disponível em http://noticias.r7.com/internacional/noticias/executivo-ingles-mata-noiva-sufocada-apos-descobrir-que-ela-era-homem-20120927.html. Acesso em 25 ago 2013.

sábado, 31 de agosto de 2013

Empresa é condenada a pagar indenização a ex-empregado

Consultor Jurídico
30 de julho de 2012

Nem mesmo a discriminação de caráter velado ou generalizado pode ser tolerada ou incentivada. O entendimento é do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, que reformou sentença para conceder indenização por dano moral a um empregado da empresa Santa Rita Indústria de Auto Peças Ltda., de Blumenau (SC). Ele disse ter sofrido humilhações e discriminação de caráter racial no ambiente de trabalho, praticadas por seu superior hierárquico e colegas.

De acordo com o TRT-12, a decisão anterior "está na contramão da história" ao considerar normal e tolerável "o que não pode ser admitido em nenhuma hipótese". As provas contidas no processo, alegou, mostraram que durante oito anos o operador de máquinas foi vítima de piadas, brincadeiras e apelidos até a sua demissão, por justa causa, em retaliação ao ajuizamento da reclamação trabalhista.

Além das provas apresentadas, o Ministério do Trabalho e Emprego verificou, após a denúncia, que nas portas dos banheiros da empresa havia inscrições depreciativas, ofensivas e discriminatórias sobre negros. A 1ª Vara do Trabalho de Blumenau julgou improcedente o pedido de indenização. "Os apelidos, mormente em um ambiente de operários, é perfeitamente aceitável e corriqueiro", afirmou, na ocasião, o juiz. No entanto, conforme destacou o TRT, "a leveza ou até o hábito pode afetar o balizamento da condenação, mas não excluir a ilicitude da conduta”.

Na reclamação trabalhista, o operador afirmou que havia, no ambiente de trabalho, "um grande desrespeito" em relação aos negros, e que sempre foi alvo de piadas e brincadeiras de cunho racista, "com o conhecimento dos superiores, que nada faziam para suprimir esses atos". O TRT decidiu que ele deve receber indenização de R$ 20 mil.

A Santa Rita Indústria foi ainda condenada em R$ 5 mil por ter demitido o empregado em punição pelo ajuizamento da ação trabalhista. “A empresa não usou de um direito, mas abusou dele e o fez da forma mais mesquinha e reprovável", diz o acórdão. Segundo o tribunal, ela passou a seus empregados uma mensagem inequívoca: "vou ofendê-lo e destratá-lo o quanto me aprouver e, se você reclamar, vai ainda perder o emprego".

A decisão foi mantida pela 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que negou Agravo de Instrumento interposto pela empregadora. De acordo com o ministro Fernando Ono, relator do caso, não há violação de dispositivo de lei ou ocorrência válida de divergência jurisprudencial capaz de autorizar a apreciação do recurso de revista. 

Agravo de Instrumento em Recurso de Revista: http://ext02.tst.jus.br/pls/ap01/ap_red100.resumo?num_int=155124&ano_int=2011&novoportal=1


Disponível em http://www.conjur.com.br/2012-jul-30/empresa-condenada-pagar-indenizacao-20-mil-discriminacao. Acesso em 25 ago 2013.